Uso de antioxidantes e compostos naturais auxilia fígado, cérebro e vias respiratórias durante períodos de maior consumo de bebida alcoólica
O consumo eventual de embutidos e bebidas alcoólicas durante o Carnaval não é, por si só, um problema para a saúde, desde que não se torne um hábito frequente. O alerta é que, mesmo em períodos curtos de excessos, o organismo pode sofrer sobrecarga, especialmente o fígado. Por isso, estratégias de desintoxicação e suporte ao corpo podem ajudar a reduzir os impactos da folia, principalmente quando associadas a uma rotina alimentar mais equilibrada após o período festivo.
Em entrevista ao Pingo do J, a nutricionista Danyela Gerolin explicou que o consumo de embutidos e bebidas alcoólicas, quando restrito a momentos pontuais, não costuma causar grandes prejuízos à saúde. Segundo ela, o problema está na repetição frequente desses hábitos ao longo do ano. “Não é algo diário. Se acontece só no Carnaval, talvez no sábado ou no domingo, está tudo bem. O risco maior é quando isso se torna rotina”, destacou.
Para auxiliar o organismo nesse período, a especialista destacou o uso do NAC (N-acetilcisteína), suplemento amplamente estudado e reconhecido por seu efeito antioxidante. “O NAC é precursor da glutationa, que é um poderoso antioxidante. Ele atua como neuroprotetor, ajuda o cérebro, as vias aéreas e é um excelente destoxificante para o fígado”, explicou. Segundo ela, a suplementação pode ser iniciada mesmo após o início do Carnaval e mantida por cerca de 30 dias.
A orientação é utilizar a dosagem de 600 miligramas ao dia, preferencialmente antes do consumo de bebida alcoólica ou antes de dormir. “Essa não é uma dica só para o Carnaval. Serve para férias, festas e outros períodos de excessos. Três dias antes é o ideal, mas dá para começar agora e manter durante o mês”, afirmou, reforçando a importância de escolher marcas confiáveis.
Outro suplemento citado foi a espirulina, derivada de algas, que pode auxiliar na desintoxicação e na desinflamação do organismo. “Ela é muito interessante para usar antes e durante esse período, de 1 a 2 gramas por dia. Pode ser mantida até acabar”, explicou. Em alguns casos, como obesidade ou problemas respiratórios, o uso pode ser ainda mais indicado, sempre com orientação profissional.
A coenzima Q10 também foi destacada como aliada importante, especialmente para pessoas que utilizam medicamentos para controle do colesterol. “É um dos suplementos que eu mais prescrevo. Ela ajuda na desinflamação e nutre as mitocôndrias, que são nossas fábricas de energia. Com isso, a gente tem mais disposição”, explicou.
Apesar dos benefícios, a nutricionista ressaltou que suplementos não fazem milagres isoladamente. “É um conjunto. Não adianta tomar coenzima Q10, jantar tarde, não se alimentar bem e não dormir direito. Tudo precisa caminhar junto”, ressaltou.
Entretanto, ela alerta que nenhuma suplementação deve ser adotada de forma automática ou sem avaliação adequada. Cada organismo responde de maneira diferente, especialmente quando há doenças pré-existentes, uso contínuo de medicamentos ou condições específicas de saúde. Por isso, a recomendação é sempre buscar a orientação de um médico ou nutricionista antes de iniciar qualquer suplemento.
Por fim, a especialista destaca que não há soluções universais quando o assunto é saúde. Alimentação, treino e suplementação devem ser adaptados à idade, ao estilo de vida e às necessidades de cada pessoa, respeitando os limites do organismo. “No geral, a pessoa tem que começar a escutar o próprio corpo e observar o que faz mal”, concluiu.