Nesta sexta-feira (9), a reportagem do Jornal da Manhã teve acesso a uma denúncia, documentada, que acusa o Lar Anjos do Bem, de acolhimento a idosos, de negligência em um suposto caso de agressão dentro da instituição. Um interno, de 49 anos, portador de Síndrome de Down, teria sido vítima de violência por parte de outro interno. De acordo com a reclamante, o Lar não só fez vista grossa ao caso, como permitiu que o envolvido ficasse dias com lesões e sem assistência. A instituição nega, diz que em momento algum deixou de promover os cuidados necessários e afirma que os órgãos reguladores são prontamente acionados em casos como esse.
Segundo a denúncia, devidamente registrada junto à 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Uberaba, a reclamante afirma que o seu irmão, portador de Síndrome de Down e interno há três anos, foi encaminhado, na segunda-feira (5), a uma unidade de pronto atendimento, com a informação de que precisava de acompanhamento médico.
Ao chegar no local, a mulher encontrou o homem com hematomas nas costas, na cabeça e no olho. Uma cuidadora da instituição, conforme o registro, estava na unidade e teria justificado à irmã que houve uma “queda” que deixou a vítima “prostrada” na cama por alguns dias. Por isso, foi procurada a assistência médica. A mulher teria sido orientada a repassar ao médico a explicação.
No entanto, durante o atendimento, o homem alegou que sofreu agressão física dentro do Lar por outro interno. Após a alta, ele passou a ficar sob os cuidados da irmã, por orientação médica.
A casa de apoio enviou, desta forma, roupas e medicamentos do homem. Mas a irmã afirma que foram mandadas peças insuficientes, que duram apenas até o dia 10 de setembro. Além disso, estaria determinado o retorno da vítima para a instituição após esse período.
Na terça-feira (6), a irmã questionou ao Lar o motivo do silêncio sobre as agressões que o homem teria sofrido no local. Como resposta, foi explicado que há muitos internos no local, e que vários brigam entre si. Com isso, não foi percebido que a vítima havia se machucado, e que, talvez, ele tivesse caído de sua cama ou se machucado na escola.
O homem teria passado dias sem atendimento médico e sem se alimentar, de acordo com a denúncia, fato que teria sido confirmado por uma administradora. No relatório do médico da instituição, consta que os hematomas provavelmente são em decorrência de agressão por outro interno.
A reclamante não concorda com as ações tomadas pelo Lar, principalmente sobre a omissão de cuidados e de informações aos familiares. Ela não deseja que o irmão retorne à casa de apoio, diz que irá cuidar da vítima e procurar outra residência de acolhimento.
Além disso, foi feito exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), nesta sexta-feira (9), após boletim de ocorrência lavrado na Polícia Civil. Os resultados apontaram lesões feitas há tempo, segundo relato da advogada do caso.
Posicionamento do Lar Anjos do Bem. Em resposta aos questionamentos do Jornal da Manhã, o Lar Anjos do Bem reconhece a necessidade de atendimento especializado à vítima. Por isso, de acordo com a instituição, desde que foi acolhido, após encaminhado pelo Serviço de Abordagem Social, em 2020, o homem recebe atendimentos médicos, educação escolar, lazer, alimentação e demais políticas públicas inclusivas.
Ele também recebe apoio escolar, e está matriculado no Centro de Orientação e Pesquisa em Educação Especial (Ceope) desde 2021, onde frequenta regularmente, sem intercorrências.
Sobre possíveis casos de agressão, a casa afirma que, durante o período de acolhimento, por várias vezes, o homem apresentou episódios de violência e chegou a agredir outros internos. “O cidadão em tela convive com outros internos, que possuem outras deficiências e transtornos mentais associados”, expõe.
Em relação à ida do acolhido a uma unidade de pronto atendimento, é explicado que o quadro clínico dele estava notoriamente baixo, e por isso foi necessário acompanhamento médico. “A instituição prestou toda a assistência médica para o acolhido, a tempo e modo, não se furtando de prestar informações”, diz a nota. A gestão afirma que um possível episódio de agressão por parte de outro acolhido não foi presenciado por nenhum dos colaboradores, que prestam o serviço 24 horas por dia.
Por fim, o Lar reforça que agiu de forma diligente, e em momento algum deixou de amparar a vítima e oferecer a atenção necessária. “Sendo certo que todas as intercorrências existentes entre pacientes são mediadas e resolvidas; sempre com comunicados aos Órgãos reguladores, sobretudo, ao Ministério Público, caso seja necessário”, finaliza o comunicado.