INTERVENÇÕES

Troca do telhado do Museu dos Dinossauros avança em meio a impasse com Conphau

Ata do Conphau registra que Conselho havia definido paralisação até receber esclarecimentos; processo sobre intervenções no prédio histórico ainda tramita no Iphan

Larissa Prata
Publicado em 15/09/2026 às 20:08
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Intervenções na antiga Estação de Peirópolis, onde funciona o Museu dos Dinossauros, já estão praticamente concluídas. (Foto/Divulgação)

Intervenções na antiga Estação de Peirópolis, onde funciona o Museu dos Dinossauros, já estão praticamente concluídas. (Foto/Divulgação)

As intervenções na antiga Estação de Peirópolis, onde funciona o Museu dos Dinossauros, seguiram normalmente e já estão praticamente concluídas, segundo informou a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) ao Jornal da Manhã. A confirmação ocorre após o Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau) ter registrado a decisão de paralisar os trabalhos até receber esclarecimentos sobre as mudanças no imóvel tombado e enquanto o processo relacionado à manutenção do prédio ainda tramita no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O impasse veio a público em agosto, quando o JM revelou que o Conphau havia decidido acionar o Ministério Público e órgãos de controle diante de questionamentos sobre intervenções na antiga estação, incluindo a substituição das telhas, alterações no piso e obras no entorno do imóvel. Na ocasião, os conselheiros também discutiram a paralisação dos serviços até que fossem esclarecidos os procedimentos adotados pela Universidade.

Agora, ata mais recente do Conselho, publicada no Porta-Voz de 11 de setembro, revela novos detalhes sobre o que ocorreu após a primeira discussão. O documento registra que a UFTM encaminhou uma série de informações para responder aos questionamentos e que a presidente do Conphau relembrou que a paralisação da obra havia sido definida pelos conselheiros até que fossem obtidos esclarecimentos sobre as intervenções realizadas.

Questionada novamente pelo JM diante do novo registro, a Universidade informou que a obra não chegou a ser paralisada. Segundo a instituição, os trabalhos tiveram continuidade normal e o serviço já está praticamente pronto.

A UFTM também afirma agora que a intervenção não deve ser caracterizada como restauro ou reforma, mas como manutenção, concentrada no telhado, na estrutura elétrica e em algumas partes do piso. A definição difere da terminologia utilizada anteriormente pela própria Universidade, que tratou os serviços como reforma quando respondeu aos primeiros questionamentos apresentados pelo JM em agosto.

Telhado permanece no centro do impasse

A nova ata do Conphau detalha ainda a tramitação envolvendo a substituição das telhas da antiga estação, um dos principais pontos de questionamento desde que o caso chegou ao Conselho.

Segundo o documento, uma primeira proposta encaminhada ao Iphan previa a substituição integral do telhado, mas foi indeferida. Posteriormente, teria sido apresentado outro projeto, limitando a troca às telhas sem condições de recuperação, proposta que recebeu parecer favorável.

No decorrer dos trabalhos, entretanto, uma engenheira teria constatado que a maior parte das telhas não poderia ser reaproveitada, o que novamente levaria à necessidade de substituição mais ampla da cobertura. Conforme a ata, a justificativa foi então incorporada ao processo em análise pelo Iphan, mas, naquele momento, ainda não havia resposta do Instituto.

Diante dessa situação, a presidente do Conphau afirmou durante a reunião que não havia segurança para liberar novas intervenções antes de uma manifestação do órgão federal.

Na resposta enviada agora ao JM, a UFTM afirma que não houve reprovação por parte do Iphan e informa que o processo referente à manutenção estrutural continua tramitando normalmente. A Universidade, porém, não detalhou especificamente o registro feito na ata do Conphau sobre o indeferimento da primeira proposta de substituição integral do telhado.

A discussão sobre a cobertura já havia aparecido na primeira análise do caso pelo Conselho. Marcondes Nunes de Freitas, responsável pelo projeto de restauração da estação executado em 1988, explicou que parte das antigas telhas francesas havia sido preservada propositalmente naquele trabalho e que as peças novas haviam sido colocadas de forma a permitir a identificação da intervenção realizada à época.

Segundo ele, a substituição promovida agora teria eliminado essa leitura histórica da cobertura. Na reunião mais recente, Marcondes voltou a questionar a condução técnica dos serviços e defendeu que intervenções com características de restauração em imóveis protegidos devem contar com projeto e coordenação de profissional da área de arquitetura e urbanismo.

A UFTM, por outro lado, já havia informado ao JM que a substituição ocorreu após avaliação técnica apontar que as telhas apresentavam quebras, perda de encaixe e fragilidade que inviabilizariam o reaproveitamento seguro. A Universidade também afirmou que as peças retiradas foram armazenadas enquanto aguardava orientações sobre sua destinação.

Quanto ao Dinogarden, a UFTM reforçou que se trata de processo distinto da manutenção da estação. Segundo a instituição, o projeto já havia sido aprovado anteriormente pelo Conphau, teve a obra concluída na última semana e está pronto para inauguração e uso. O espaço integra projeto de pesquisa desenvolvido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

No caso do prédio histórico, porém, a própria Universidade confirma que a tramitação junto ao Iphan ainda não foi encerrada e que a equipe trabalha paralelamente para responder aos questionamentos apresentados pelo Conphau. Enquanto essas manifestações permanecem pendentes, os serviços que deram origem ao impasse continuaram avançando e, segundo a UFTM, já estão próximos da conclusão.

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