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Uberaba, 206 anos: a história do crescimento contada pelos censos

Joanna Pratta
Publicado em 02/03/2026 às 07:55
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Em 150 anos, desde que foi realizado o primeiro Censo Demográfico nacional no Brasil, Uberaba passou de um município interiorano do período imperial para uma cidade com mais de 337 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A evolução demográfica ajuda a contar a própria história do município e revela como a cidade se transformou econômica e socialmente ao longo das décadas.

Os dados oficiais comparáveis começam a partir de 1940, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou o primeiro Censo Demográfico sob a sua responsabilidade. O primeiro recenseamento nacional do Brasil ocorreu em 1872, ainda no período imperial. Naquela época, Uberaba já era cidade, título concedido em 1856, e exercia papel estratégico como centro agropecuário e ponto de passagem nas rotas comerciais rumo ao Centro-Oeste.

Embora o município tenha sido recenseado naquele levantamento, os dados municipais detalhados não possuem o mesmo nível de padronização e divulgação das estatísticas produzidas após a criação do IBGE, em 1936. É a partir do Censo Demográfico de 1940 que começa a série histórica oficial para Uberaba.

Naquele ano, o município contabilizava 58.165 habitantes, segundo dados do IBGE. A cidade ainda tinha forte presença rural, com o núcleo urbano concentrado na área central, mas já consolidava sua relevância econômica no Triângulo Mineiro, impulsionada pela agropecuária e pela força do gado zebu.

Em 1950, Uberaba registrou cerca de 67 mil habitantes. Em 1960, o número subiu para, aproximadamente, 89 mil moradores, refletindo avanço do processo de urbanização e crescimento econômico regional.

A década de 1970 marcou uma mudança expressiva. Em 1970, a população chegou a 124.848 habitantes. No Censo de 1980, o município alcançou 199.208 moradores, registrando o maior salto proporcional da série histórica. O crescimento consolidou Uberaba como polo regional no Triângulo Mineiro.

Nas décadas seguintes, o avanço continuou em ritmo constante. Em 1991, eram 211.824 habitantes. No ano 2000, o município contabilizava 252.051 moradores. Em 2010, o número chegou a 295.988 habitantes, mantendo a tendência de expansão urbana. O Censo mais recente, realizado em 2022, apontou 337.836 moradores.

Em 82 anos, desde o primeiro levantamento conduzido pelo IBGE, Uberaba multiplicou sua população por quase seis vezes, evidenciando uma transformação estrutural significativa.

Os dados atuais também permitem traçar o perfil do uberabense. Segundo o Censo 2022, a cidade tem predominância feminina, com 175.301 mulheres e 162.535 homens. A maior concentração da população está na faixa etária entre 20 e 44 anos, indicando base economicamente ativa relevante. O município é essencialmente urbano, com mais de 97% dos moradores vivendo na área urbana.

O levantamento aponta ainda avanço do envelhecimento populacional: cerca de 12% dos moradores têm 65 anos ou mais, acompanhando tendência observada em todo o país. No recorte por cor ou raça, a maior parte da população se declara branca, seguida por pardos e pretos, refletindo a formação histórica e social do município.

Ao completar 206 anos, Uberaba apresenta trajetória de crescimento contínuo, urbanização consolidada e perfil demográfico em transição. Se em 1940 era uma cidade de pouco mais de 58 mil habitantes, com base rural, hoje é um município com mais de 337 mil moradores, economia diversificada e desafios típicos de centros urbanos de médio porte em expansão constante. Os números oficiais do IBGE mostram que, ao longo de oito décadas, a cidade deixou de ser um centro regional essencialmente agrícola para se tornar um polo urbano diversificado, sem perder as raízes que marcaram sua formação.

PERFIL DA ECONOMIA MUDA COM UM NOVO RETRATO DA FAMÍLIA UBERABENSE

Ao completar 206 anos, Uberaba não celebra apenas sua história, mas também o uberabense. Mas quem é o uberabense? Segundo os dados do último Censo Demográfico de 2022, o uberabense de hoje é em sua maioria urbano, um pouco mais feminino que masculino, com perfil predominantemente jovem (20-44 anos), de famílias menores e espaços residenciais.

Os dados revelam a mudança do perfil do uberabense nas últimas décadas. Se no passado a cidade era marcada por famílias maiores e economia predominantemente rural, os levantamentos de 2000, 2010 e 2022 mostram um município cada vez mais urbano, com novos arranjos familiares e população em processo de envelhecimento.

O Censo 2022 aponta que as uniões consensuais passaram a superar os casamentos formalizados. Atualmente, 43,6% dos casais vivem em união estável, enquanto 36,8% mantêm casamento civil e religioso. A mudança acompanha tendência nacional observada pelo IBGE.

O tamanho das famílias também diminuiu. Em 2000, a média de moradores por domicílio era superior a três pessoas. Em 2010, caiu para cerca de 2,9. Em 2022, ficou em aproximadamente 2,6 moradores por residência. No último levantamento, Uberaba registrou 152.223 domicílios recenseados, sendo 103.565 casas e 20.094 apartamentos.

A estrutura etária confirma o avanço do envelhecimento. Em 2000, a população com 65 anos ou mais representava cerca de 6% do total. Em 2010, esse percentual subiu para aproximadamente 8%. No Censo 2022, alcançou cerca de 12%, indicando mudança significativa no perfil demográfico.

Na economia, os dados do IBGE mostram que o setor de serviços responde pela maior parcela do Produto Interno Bruto municipal, seguido pela indústria, enquanto a agropecuária tem participação menor do que no passado. Segundo o PIB dos Municípios, Uberaba figura entre as maiores economias de Minas Gerais e aparece como a 5ª maior do estado, com Produto Interno Bruto na casa de R$ 23 bilhões, atrás apenas de Belo Horizonte, Betim, Uberlândia e Contagem.

No ranking populacional, o município é o 7º mais populoso de Minas Gerais, conforme o Censo 2022. Aos 206 anos, o retrato estatístico aponta uma cidade mais urbana, com famílias menores, novas formas de união e população que envelhece gradualmente. Os números mostram que a transformação de Uberaba não é apenas territorial ou econômica, é também social e demográfica.

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