Será lançado nesta sexta-feira (17), às 9h, o Plano de Preparação e Resposta ao Período de Estiagem de 2026, que tem como principal foco o enfrentamento aos incêndios durante a temporada de seca. A iniciativa foi detalhada pelo comandante do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Josias Soares de Freitas Júnior, em entrevista ao programa Pingo do J.
Segundo ele, o cenário previsto para 2026 acende um alerta mais intenso devido à combinação de fatores climáticos e ao possível retorno do fenômeno El Niño, que pode ser mais forte do que o registrado em 2024, ano que já teve alta incidência de queimadas. “Existe uma preocupação mais acentuada para esse ano de 2026, então a ideia é iniciar uma preparação mais robusta”, afirma o comandante.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o período de estiagem é marcado pela combinação de alta temperatura, baixa umidade e ventos fortes, condições que favorecem a propagação do fogo. No entanto, o comandante destacou que a principal causa dos incêndios ainda é a ação humana. “Quase que na sua totalidade, os incêndios têm ação humana”, disse.
Ele citou práticas comuns como a queima de lixo em terrenos e limpezas feitas sem controle, que podem escapar do controle com facilidade e atingir áreas de vegetação, canaviais e zonas rurais.
O plano prevê ações de prevenção e resposta envolvendo diferentes setores do poder público e da iniciativa privada. Entre as medidas estão campanhas de conscientização, fiscalização de terrenos urbanos e rurais e o mapeamento de áreas com maior risco de incêndio.
O Corpo de Bombeiros já iniciou o trabalho de identificação de locais críticos por meio do projeto “Alerta Verde”, que será repassado à Prefeitura para notificação de proprietários de terrenos com acúmulo de vegetação.
Além disso, o plano reforça a integração entre órgãos como Defesa Civil, Prefeitura, concessionárias de rodovias, produtores rurais e empresas do setor sucroenergético. “Usar os recursos existentes de maneira inteligente para fazer frente aos incêndios mais graves”, destaca o comandante.
O período mais crítico segue concentrado entre agosto e outubro, quando ocorre metade dos incêndios registrados ao longo do ano. Em alguns dias, segundo os Bombeiros, podem ser registradas até 20 ocorrências simultâneas.
O comandante também ressaltou a evolução tecnológica no combate ao fogo, que reduziu o consumo de água e aumentou a eficiência das operações. “Hoje conseguimos apagar um incêndio com muito menos água do que há 15 anos, graças à tecnologia e ao treinamento”, explicou.
Outro ponto de atenção é o período de férias escolares, na segunda quinzena de julho, quando há aumento histórico no número de queimadas, especialmente em áreas rurais e de lazer.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a expansão de vegetação após períodos de chuva também contribui para o risco, já que o crescimento do mato se torna combustível durante a seca.
O plano também prevê reforço nas perícias de incêndio, que conseguem identificar com precisão o ponto de origem do fogo em até algumas semanas. As informações podem subsidiar investigações e responsabilização de autores de queimadas irregulares. “Temos condições de identificar onde o fogo começou e encaminhar para responsabilização”, afirma.
A estratégia central do plano é ampliar a conscientização da população e estimular práticas preventivas, como limpeza de terrenos, criação de aceiros e evitar qualquer tipo de queima sem controle técnico. A expectativa do Corpo de Bombeiros é reduzir o número de ocorrências e melhorar a resposta integrada durante o período de estiagem de 2026.