A iniciativa é parte de estratégia de busca ativa e pretende reduzir gargalos de informação em casos em que a clínica não informa corretamente o Ministério da Saúde sobre a imunização de crianças até 5 anos
Central de Vacinas prepara força-tarefa em conjunto com a Vigilância Sanitária para regularizar o registro de doses aplicadas na rede particular. A iniciativa acontece em meio a estratégias de busca ativa de crianças até 5 anos que não tenham completado o esquema vacinal. A informação foi antecipada pela enfermeira e referência técnica da vacinação em Uberaba, Priscilla Amaral, à Rádio JM. Segundo ela, alguns estabelecimentos ministram doses nas crianças, mas não informam corretamente o Ministério da Saúde (MS) e o Sistema Único de Saúde (SUS), impactando também as estatísticas de imunização do município.
Segundo Priscilla, apesar de apresentarem cadernetas completas, algumas crianças não têm o registro da aplicação de doses do esquema vacinal preconizado pelo MS. Isso acontece porque alguns estabelecimentos da rede privada de imunização não informam corretamente o sistema de saúde. “Existem algumas que são maravilhosas e entram em contato conosco, tiram dúvidas, inclusive. Mas existem aquelas que não comparecem”, afirma a coordenadora.
Diante da situação, a Central de Vacinas pretende realizar visitas em conjunto com a Vigilância Sanitária para verificar os procedimentos adotados, uma vez que a comunicação de dados com o Ministério da Saúde é obrigatória. Priscilla explicou que a falta de regularidade pode ter consequências para o funcionamento dos estabelecimentos, pelo descumprimento de regras preconizadas para a atividade regular, podendo implicar na perda de alvará sanitário, por exemplo.
A ausência das informações também interfere nos indicadores de cobertura vacinal do município. Quando uma criança recebe uma vacina na rede particular, mas a aplicação não é registrada no sistema público, o histórico pode indicar que a imunização está pendente. “Se ela fez, completou o esquema vacinal dela, mas eu não estou ciente, enquanto gestora da vacinação do SUS, dentro do nosso sistema, isso impacta. É como se o responsável não estivesse imunizando a criança”, explica Priscilla.
A coordenadora ressaltou que o problema vai além de uma divergência no histórico individual, pois também interfere nas estatísticas utilizadas para acompanhar a vacinação da população. “Então, não está entrando dentro da cobertura vacinal, dentro das nossas estatísticas, e isso é gravíssimo”, afirma.
A situação pode gerar alertas para famílias cujas crianças já estão com a vacinação em dia. Durante a entrevista, Priscilla explicou que os registros apresentados pelos responsáveis podem ser transcritos para atualizar o histórico no sistema público.
Ela também relatou casos em que a falta de documentação sobre doses anteriores exige uma avaliação do esquema vacinal. “Então, aí a pessoa tem que repetir todo o esquema vacinal do SUS para mostrar que está completo”, disse.
Durante a entrevista, Priscilla também demonstrou preocupação com farmácias que oferecem vacinação sem que a Central de Vacinas tenha informações sobre a atividade desses estabelecimentos. “Eu tomo susto quando eu vejo na porta pneumo 20, convidando para tomar, por exemplo, a vacina da influenza. Porque ninguém comunicou, nós não temos nem em registro essa farmácia”, exemplifica.
Segundo a coordenadora, a verificação desses locais também será feita em conjunto com a Vigilância Sanitária, para identificar como as doses aplicadas estão sendo registradas e se as informações chegam aos sistemas utilizados pela rede pública.
A medida faz parte das ações relacionadas à busca ativa de pessoas com possíveis pendências vacinais. Para Priscilla, manter os registros atualizados é fundamental para que o município consiga identificar quem realmente precisa completar o esquema de imunização e acompanhar adequadamente a cobertura vacinal.