Reconhecida como patrimônio cultural e vetor econômico em Minas Gerais, a cachaça está no centro de uma estratégia conjunta entre o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult). No Triângulo Mineiro, Uberaba ocupa posição de destaque na construção da primeira fase do projeto piloto, e poderá servir de modelo para outras regiões do estado.
Ao Jornal da Manhã, o IMA explicou que a proposta é estruturar um modelo, ainda este ano, em que produção regular, identidade cultural e turismo caminhem de forma integrada. “Uberaba pode se consolidar como um exemplo de como o agro mineiro dialoga com a economia criativa, transformando produto em experiência e território em destino”, destacou.
Para isso, foi realizado um mapeamento detalhado dos produtores da região. O levantamento cruzou dados de estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), informações do Censo Agropecuário de 2017 e bases regionais do IMA e da Secult. Segundo o órgão, o objetivo é identificar tanto quem já atua na legalidade quanto aqueles que precisam de apoio para a formalização.
“Mais do que mapear, estamos organizando o território produtivo. A política pública contemporânea exige dados, planejamento e integração institucional. É isso que garante efetividade e resultado concreto. Portanto, estamos estruturando um projeto piloto que pode se tornar modelo replicável para outras regiões de Minas, criando um paradigma de desenvolvimento territorial baseado em identidade, legalidade e valorização da produção mineira”, destacou.
No campo prático, as ações devem focar em dois eixos: apoio técnico do IMA para o registro no MAPA e orientação da Secult para inclusão dos produtores no Cadastur, cadastro obrigatório para prestadores de serviços turísticos. A regularização, conforme o instituto, é estratégica para ampliar mercados e agregar valor ao produto. “A regularização não é burocracia, é estratégia de desenvolvimento, um passo fundamental para o crescimento. Quando o produtor sai da informalidade, ele aumenta o valor agregado do seu produto e ganha acesso a novos mercados”, ressaltou o Instituto. Com o cadastro, produtores também podem ter acesso a linhas de crédito do Fungetur (Fundo Geral de Turismo), voltadas a empresas do setor, o que pode impulsionar investimentos, geração de renda e empregos no campo.
Além do aspecto produtivo, a iniciativa prevê integrar a cachaça regular aos roteiros turísticos já existentes. A proposta é fomentar experiências de turismo rural e gastronômico, conectando alambiques e produtores locais a circuitos estruturados. “O desafio agora é organizar essa força produtiva dentro de uma estratégia turística estruturada. Isso cria uma vivência inesquecível e completa, unindo natureza, história, religiosidade e o sabor da nossa terra. Uberaba já possui grande potencial para o turismo de negócios e lazer, e o projeto vem para profissionalizar e dar ainda mais destaque a essa oferta local”, afirmou.
O acordo firmado entre IMA e Secult prevê ainda a realização de seminários, palestras, capacitações presenciais, rodadas de sensibilização e encontros técnicos destinados a produtores, comerciantes, chefs de cozinha e formadores de opinião, com o objetivo de articular fiscalização, qualificação e promoção turística. Nesta etapa inicial, a iniciativa mobiliza equipes de oito coordenadorias regionais do instituto, entre elas a de Uberaba, e seis Instâncias de Governança Regionais (IGRs), que abrangem mais de 140 municípios. A expectativa é concluir essa fase de estruturação no primeiro semestre de 2026 e, a partir dos resultados alcançados, transformar o projeto em modelo replicável para outras regiões de Minas Gerais.
“Cultura e gastronomia são vetores estruturantes do turismo mineiro. Vincular produtos da nossa gastronomia, como a cachaça de alambique, a eventos culturais, como festivais e feiras, amplia a qualidade da experiência, protege o consumidor, valoriza o produtor e engrandece os eventos locais. E, grandes centros como Uberaba têm capacidade de irradiar essa política e fortalecer a identidade mineira em escala regional e nacional, permitindo que a cidade se consolide como um destino onde a inovação do agro e a tradição do alambique caminham juntas”, concluiu o IMA.