CIDADE

Um terço dos trabalhadores deve usar o 13º para pagar as dívidas

Letícia Marra
aleticiamarra@gmail.com
Publicado em 03/12/2022 às 20:57Atualizado em 15/12/2022 às 22:34
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Dinheiro do 13º ajuda a aquecer a economia no fim do ano, explica professor de Finanças (Foto/Reprodução)

Chegou dezembro e com ele o tão aguardado 13º pagamento. A gratificação é esperada para movimentar a economia. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a expectativa é que, até o fim do ano, o benefício disponibilize R$249,8 bilhões em todo o país, o equivalente a 2,6% de todo o Produto Interno Bruto (PIB).

“O 13° proporciona melhoria considerável na economia. É como se tivéssemos ‘dois meses dentro de um só’. Isso porque as empresas também esperam vender mais, considerando que as pessoas possuem mais recursos disponíveis. Os trabalhadores obterão recursos e acabam utilizando-os no comércio, girando ainda mais a economia”, explica o professor de Finanças, Lucas Kappel.

Somente em Minas Gerais, o pagamento do 13º salário para, aproximadamente, 9,3 milhões de trabalhadores vai injetar R$23,4 bilhões na economia do Estado. Contudo, o alto endividamento e as armadilhas dos juros altos impedem a transformação de todo esse recurso em incentivo ao setor produtivo por meio das compras de fim de ano.

Levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG), realizado com trabalhadores de Belo Horizonte, mostra que mais de um terço deles (37,61%) pretende pagar contas atrasadas ou quitar dívidas – há cinco anos, somente um em cada quatro (25%) pretendia fazer o mesmo.

Especialista explica que o ideal, de fato, é o pagamento das dívidas, mas não de qualquer dívida, e sim das dívidas “ruins”. “Uma dívida é ruim quando os juros envolvidos na operação são altos ou abusivos, e isso acaba prejudicando o seu orçamento. Como exemplos: cartão de crédito e cheque especial, em que as taxas envolvidas superam os 10%, 15% ao mês, e 300%, 400% ao ano”, alerta.

Fazer compras para o fim do ano aparece apenas como o quinto objetivo dos trabalhadores, com 4,59% das intenções (um pouco melhor que em 2017, quando eram 3,7%).

Apesar de o endividamento ter se mantido estável, a inadimplência aumentou quase seis pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Esse crescimento da inadimplência é resultado de uma inflação resistente e da escalada dos juros (que passam de 200% ao ano), quase inviabilizando o pagamento. E, pior, essa combinação canibaliza recursos que deveriam virar bem-estar e fartura para toda a economia.

“Para se evitar o endividamento, a saída é priorizar os pagamentos à vista ou parcelados sem juros. Se não for possível, que os pagamentos com juros sejam aqueles em que as taxas envolvidas sejam baixas (de preferência próximas à inflação)”, elucida.

Kappel ainda alerta que parte dos recursos deve ser “separada” visando a programação de dívidas do início de 2023, como IPVA, IPTU, material escolar, matrícula em escola, uniformes, conselhos regionais, entre outros.

No caso de investimentos com o 13°, Lucas alerta para a cautela. “Para os mais ‘conservadores’, uma boa estratégia pode ser o ‘Tesouro Direto’, já que é possível obter rendimentos de 12%, 13% ao ano, sem correr nenhum risco. Para as pessoas que já podem arriscar um pouco mais, creio que a Bolsa de Valores se encontra em um momento de muita oscilação, o que pode favorecer a investimentos de curto prazo (obviamente, neste caso, recomenda-se muita cautela e estudo, pois os riscos envolvidos são relativamente altos)”, finaliza.

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