CIDADE

Universidades enfrentam dificuldades para estudos de anatomia com corpos humanos em Uberaba

Em Minas Gerais, unidades tem número de cadáveres insuficientes

Letícia Marra
aleticiamarra@gmail.com
Publicado em 25/08/2022 às 15:16Atualizado em 18/12/2022 às 14:07
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Foto/Reprodução

A Lei 10.406 de janeiro de 2002 estabelece que qualquer pessoa pode dispor de seu próprio corpo para uso científico após a morte. A atitude pode auxiliar estudantes da área da saúde a aprofundarem os aprendizados sobre as estruturas humanas e facilita o aprimoramento de técnicas de medicina e assistência médica. Entretanto, mesmo visto como um ato nobre, universidades enfrentam dificuldades com a falta de material humano para estudo. Por não ser uma prática comum, as instituições buscam conscientizar e sensibilizar as pessoas em relação à doação, já que o número de corpos disponíveis ainda é insuficiente.

Em Uberaba, na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a maioria dos cadáveres presentes no laboratório de Anatomia Humana são de indigentes. Por lei, após 30 dias, esses corpos podem ser destinados para o laboratório para estudos anatômicos. No entanto, esse canal de entrada tem diminuído drasticamente. Para manter a demanda necessária, desde 2016, existe o programa “Eternos pela Vida”, criado e instituído na Pró-Reitoria de Extensão Universitária, com o objetivo de coletar mais doações.

Não há, atualmente, dados centralizados sobre quantas doações são feitas anualmente no Brasil. Cada local que recebe os corpos faz seu próprio balanço. Segundo a Sociedade Brasileira de Anatomia, são 36 programas de doação no País. Como não há uma normatização nacional, a forma de efetivar uma doação pode variar. Nas esferas regionais, geralmente, existe um programa conduzido por universidades que orienta como proceder.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem o programa mais antigo, desde 1999, e foi batizado de “Vida Após a Vida”. De acordo com o Ministério de Educação (MEC), o ideal seria que laboratórios de Anatomia Humana tivessem cerca de 1 cadáver para grupos de 10 alunos. Entretanto, segundo informou o professor e coordenador do programa na UFMG, Kennedy Oliveira, ao Tempo, desde o início do projeto, somente 150 corpos foram doados.

A UFTM ainda não alcançou a meta ideal e possui aproximadamente 40 cadáveres para um fluxo semestral da área da saúde de cerca de 800 alunos. Ou seja, tem apenas 50% da quantidade ideal de corpos.

Na Universidade de Uberaba (Uniube) e Faculdade de Talentos Humanos (Facthus), não existem programas específicos, portanto todos os corpos que chegam para estudos são doados pelo Ministério Público e Polícia Civil de Minas Gerais, por meio do Instituto Médio Legal. Na Uniube, os cursos que utilizam os cadáveres para estudos sã Medicina, Odontologia, Educação Física, Fisioterapia, Farmácia e Psicologia (parte neurológica). As disciplinas de anatomia são divididas em grupos de 15 a 18 alunos por aula prática, de acordo com o curso em questão, de modo que não haja sobrecarga em sala de aula.

Já na Facthus, os cursos de enfermagem, biomedicina, fisioterapia são os que mais demandam os laboratórios de anatomia. Semestralmente, 800 alunos passam pela estrutura. Os cursos e turmas são divididos em grupos de 20 alunos.

A Universidade Federal do Triângulo Mineiro informa que toda pessoa maior de 18 anos poderá registrar a doação do corpo para ciência, no caso para o projeto Eternos pela Vida. O interessado pode acessar o site oficial do projeto (http://uftm.edu.br/eternospelavida) ou entrar em contato com a Disciplina de Anatomia da UFTM para agendamento de entrevista e esclarecimento de todas as dúvidas.

O coordenador da proposta, Professor Doutor Luciano Gonçalves, informa que a instituição ainda realiza culto ecumênico para conscientização. "Acreditamos que o principal canal para conscientização é a realização anual do Culto Ecumênico para homenagear os doadores voluntários de corpos da UFTM. Normalmente, participam aproximadamente 170 pessoas, incluindo professores, alunos, técnicos administrativos, doadores, familiares e o Padre Fabiano Roberto dos Santos", esclarece.

A Facthus conta que, no planejamento da instituição, há formulação de programa de conscientização sobre a importância dos corpos para o desenvolvimento científico. O cuidado e o tratamento pelos alunos aos corpos envolvem o maior e mais profundo respeito. Há um protocolo de conduta ética para o manuseio e estudos acadêmicos.

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