Segundo gestores da SEU, os casos mais frequentes envolvem motociclistas que não aguardam por atendimento de urgência
Vítimas de acidentes têm chegado com maior frequência às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Uberaba por meios próprios, transportadas por familiares ou outras pessoas, segundo os gestores das unidades. O movimento é percebido principalmente na UPA Mirante e envolve sobretudo casos de menor complexidade. A situação ocorre em meio ao volume de acidentes de trânsito na cidade, que registrou 3.724 ocorrências entre janeiro e 15 de setembro de 2026, sendo 1.036 com vítimas, segundo dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais.
O alerta foi feito pelo diretor administrativo da Sociedade Educacional Uberabense (SEU), Frederico Ramos, e pelos responsáveis técnicos das UPAs de Uberaba, Alexandre Azambuja e Brunella Chinem ao Pingo do J, da Rádio JM. Segundo eles, algumas vítimas, especialmente motociclistas envolvidos em acidentes de menor impacto, não aguardam a chegada das equipes de resgate e são levadas diretamente ao pronto atendimento.
A preocupação é que o transporte ocorra sem avaliação inicial de um profissional de saúde e sem a imobilização adequada, quando necessária. “Ele não está imobilizado, não foi assistido primeiramente por nenhum profissional da saúde”, alerta a médica Brunella Chinem, responsável técnica pela UPA Mirante.
Os entrevistados ponderaram que a maior demanda dos serviços de resgate pode contribuir para que familiares decidam transportar as vítimas por conta própria. No entanto, não foram apresentados dados que confirmem essa relação ou permitam dimensionar a frequência desse comportamento.
De acordo com os gestores, vítimas atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou pelo Corpo de Bombeiros são encaminhadas diretamente aos hospitais de referência, conforme a gravidade, sem passagem obrigatória pelas UPAs.
O Hospital Regional recebe parte dos casos ortopédicos, enquanto ocorrências de maior complexidade, como politraumatismos e fraturas expostas, são direcionadas ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM).
Frederico Ramos informou que o Centro Ortopédico de Trauma (COT) do Hospital Regional registra quase mil atendimentos por mês. O número corresponde ao movimento do serviço e não exclusivamente a acidentes de trânsito.
Os gestores também relacionaram períodos chuvosos ao aumento de acidentes, especialmente envolvendo motociclistas, devido à pista molhada. A orientação é acionar o Samu ou o Corpo de Bombeiros para que a vítima receba avaliação e os cuidados necessários antes do transporte.