Em setembro, permanência média à espera de vaga hospitalar foi de 2,7 dias nas duas unidades; gestão relata momentos em que não havia espaço para mais uma maca
Pacientes que precisam de internação hospitalar permaneceram, em média, 2,7 dias nas UPAs de Uberaba à espera de transferência em setembro. No mesmo mês, a ocupação dos espaços destinados a esses pacientes chegou a 140% da capacidade ordinária contratada na unidade do Mirante e a 130% na São Benedito. Para a gestão das unidades, a dificuldade de encaminhamento aos hospitais é hoje o principal gargalo do atendimento.
“Vem aumentando a demanda, a procura de pacientes nas UPAs, e a maior demanda que vem pressionando são pacientes que necessitam de internação em hospital”, afirmou o diretor administrativo hospitalar da Sociedade Educacional Uberabense (SEU), Frederico Ramos, em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM. Também participaram os responsáveis técnicos das UPAs Alexandre Azambuja, da São Benedito, e Brunella Chinem, do Mirante.
A comparação com janeiro mostra o avanço da pressão sobre as unidades. No início do ano, a ocupação era de 100% no Mirante e de 83% na São Benedito. Os percentuais se referem à estrutura contratada para acomodação desses pacientes, e não ao movimento de pessoas aguardando consulta.
Segundo Frederico, houve períodos em que a ocupação se aproximou de 200%. Nessas situações, a gestão comunicou ao complexo regulador que priorizasse o encaminhamento à outra UPA, diante da dificuldade de acomodar mais pacientes.
“Não adianta levar para a São Benedito agora, que nem espremendo eu consigo colocar um paciente a mais na São Benedito”, exemplificou, ao reproduzir uma das situações comunicadas à regulação. Segundo ele, a mesma dificuldade ocorreu no Mirante, mas as unidades mantiveram o atendimento.
O problema já havia sido mostrado pelo JM em agosto, quando os gestores relataram a permanência de um paciente por 8 dias aguardando regulação. Na ocasião, a administração também apontava crescimento da procura nas duas unidades, com o Mirante chegando a aproximadamente 10 mil atendimentos mensais.
A dificuldade de acesso aos hospitais também aparece nas transferências já autorizadas. Entre 1º e 24 de setembro, a SEU contabilizou 37 episódios de retenção de macas das UPAs no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM). Os equipamentos permaneceram no hospital para acomodar pacientes, comprometendo sua disponibilidade para novos transportes. À época, o HC informou que a devolução ocorre assim que possível, sem prejuízo aos pacientes internados.
Para reduzir a permanência nas UPAs, os gestores relatam maior frequência de visitas da equipe municipal de desospitalização e aproximação com o Melhor em Casa. Conforme a condição clínica e a avaliação das equipes, pacientes podem continuar o tratamento no domicílio, inclusive com antibióticos endovenosos. Outros são encaminhados à unidade-dia para procedimentos que dispensam permanência no pronto atendimento.
Frederico avalia que ampliar leitos hospitalares pode aliviar o problema no curto prazo, mas defende também o acompanhamento de idosos e pessoas com doenças crônicas antes que haja agravamento. Segundo ele, pacientes acima de 65 a 70 anos representam a maior parte daqueles que precisam de internação hospitalar.
“Eu tenho que garantir o cuidado do dia a dia, garantir que esses pacientes estão tomando o medicamento correto, no tempo correto, no tempo oportuno”, afirmou, ao defender o acompanhamento para evitar descompensações de doenças como diabetes e hipertensão.