Secretário Fahim Sawan alerta que objetivo da campanha de imunização não é estimular as jovens a começar a vida sexual
Alguns pais não autorizaram as filhas a se vacinarem contra o vírus HPV (Papiloma Vírus Humano). A justificativa é de que a medida estimula as jovens a começar a vida sexual precocemente. O fato está preocupando a Secretaria Municipal de Saúde. Essa semana, algumas meninas não foram imunizadas porque os pais não permitiram a vacinação. Em Uberaba, até o momento mais de 280 meninas não receberam a dose contra o HPV.
A campanha teve início em todo país no dia 10 março, e em Uberaba está sendo desenvolvida com o apoio da Educação. Por dia, as equipes de saúde visitam três instituições, onde aplicam vacinas contra o HPV nas jovens de 11 a 13 anos com autorização encaminhada pelos pais. Até o momento, 1.141 crianças em 13 instituições foram imunizadas, sendo 765 nas escolas e 376 nas Unidades Matriciais de Saúde (UMS), sendo as meninas que por algum motivo não estavam na escola e procuraram uma unidade para a imunização. A grande preocupação é com as 281 crianças com previsão para vacinação essa semana, mas que não receberam a dose.
“Com certeza atingimos uma quantidade boa de meninas imunizadas, mas estamos nos deparando com problemas. Em algumas escolas não vacinamos todas as jovens. Pais até justificaram os motivos pelos quais não permitem e são razões incoerentes. Eles alegam que a secretaria está incentivando as crianças a iniciarem a vida sexual, o que não é verdade, pois o início da vida sexual depende da orientação que recebem. É um absurdo negar que a jovem receba a dose, pois é uma vacina que impede o surgimento do câncer de colo de útero”, explica o secretário da Saúde, Fahim Sawan. Outros motivos para que as jovens não tenham recebido a imunização é por já terem se vacinado em clínicas particulares, ou porque faltaram à aula no dia da campanha, e outras porque os pais querem acompanhar a vacinação e assim vão até as UMSs.
Conforme orientação de ginecologistas, a vacina é indicada para meninas a partir dos nove anos, ou seja, por precisar ser aplicada antes do início da vida sexual. E como se trata de uma vacina de alto custo, cerca de R$300 cada dose, e por ser necessário tomar três doses, o poder público está oferecendo a imunização gratuitamente. “Como esperávamos que isso pudesse acontecer, para aquela família que mudar de ideia, a vacina estará na unidade de saúde e destinada nominalmente à criança. Além disso, vamos fazer campanha de esclarecimento. Estamos enviando um material com informações sobre a importância de se realizar a prevenção”, diz.