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Vans da Gathi deixam Uberaba após acordo que encerrou contrato do transporte escolar

Empresa renunciou ao contrato rural e aceitou pagar R$ 1,3 milhão em autocomposição com MP e Prefeitura

Débora Meira/Redação
Publicado em 02/06/2026 às 11:11
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(Foto/Divulgação)

Após meses de disputa judicial, denúncias de fraude em licitação e incertezas sobre uma possível retomada do transporte escolar rural, a empresa Gathi Gestão, Transportes e Serviços Ltda. dá sinais de que está deixando Uberaba. Imagens encaminhadas ao Jornal da Manhã mostram vans identificadas com a logo da empresa sendo transportadas em caminhões, o que reforça a percepção de encerramento das atividades no município. Procurada pela reportagem, a Gathi não se manifestou até o fechamento desta edição e o espaço segue aberto para posicionamento. 

A movimentação ocorre poucas semanas após a formalização de um acordo entre a Gathi, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Prefeitura de Uberaba, que prevê a renúncia definitiva da empresa ao contrato do transporte escolar rural. O termo de autocomposição foi firmado no âmbito de uma ação de responsabilização civil e também estabeleceu o pagamento de R$ 1,3 milhão, sendo R$ 650 mil destinados ao Município e outros R$ 650 mil ao Fundo Municipal de Prevenção e Combate à Corrupção. 

Pelo acordo, a empresa abriu mão de forma expressa, irrevogável e irretratável de qualquer direito relacionado ao Contrato Administrativo nº 012/2025, firmado para a prestação do transporte escolar rural. A composição também impede a Gathi e a Viaforte Multisserviços de participar de licitações ou firmar contratos com a administração municipal por dois anos após a homologação judicial. 

O caso teve início no fim de 2025, quando a Operação Todas por Uma, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), passou a investigar suspeitas de fraude no Pregão Eletrônico nº 44/2024. O contrato, estimado em cerca de R$ 65 milhões ao longo de 29 meses, previa a prestação do transporte escolar rural em Uberaba. 

Segundo as investigações, haveria indícios de conluio entre três empresas participantes da licitação: Gathi Gestão, Transportes e Serviços Ltda., Viaforte Multisserviços Ltda. e TJ Brasil Multisserviços Ltda. A Promotoria sustenta que as empresas, embora formalmente distintas, seriam controladas por um mesmo núcleo econômico e teriam atuado de forma coordenada para simular concorrência no certame. 

Em novembro do ano passado, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em Uberaba e em cidades paulistas. Durante as diligências, foram recolhidos documentos, aparelhos celulares e outros materiais que passaram a integrar a investigação. Conforme divulgado pelo Ministério Público, as apurações apontaram ainda o uso de empresas de fachada e alterações societárias que teriam servido para mascarar vínculos entre os participantes da licitação. 

A situação se refletiu diretamente na prestação do serviço. Desde o início da operação da Gathi no transporte escolar rural, pais de alunos e comunidades da zona rural relataram problemas envolvendo atrasos, falhas em rotas e dificuldades no atendimento. Com o avanço das investigações, a Justiça determinou a suspensão do contrato, e a cooperativa Ubervan, quarta colocada no processo licitatório, foi convocada para assumir o serviço. 

A disputa, porém, teve novos capítulos. Em determinado momento, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais concedeu decisão favorável à Gathi e restabeleceu provisoriamente o contrato. Apesar disso, a empresa não retomou efetivamente as atividades. A Prefeitura alegou insegurança jurídica diante dos recursos apresentados pelo Ministério Público e da evolução das investigações criminais. 

Em fevereiro deste ano, uma nova decisão, desta vez da 3ª Vara Criminal de Uberaba, determinou a suspensão das atividades da Gathi relacionadas ao contrato do transporte escolar rural. Na ocasião, o magistrado considerou que havia indícios consistentes de fraude à licitação e falsidade ideológica, apontando que a atividade empresarial poderia estar sendo utilizada como instrumento para a prática dos crimes investigados. 

Paralelamente, o Ministério Público concluiu o procedimento criminal e ofereceu denúncia contra cinco investigados. A acusação envolve crimes de frustração do caráter competitivo da licitação e falsidade ideológica. Em abril, a Justiça recebeu a denúncia, dando início à ação penal, que continua tramitando de forma independente da composição firmada na esfera cível. 

O acordo firmado entre as partes não implica reconhecimento de culpa por parte das empresas envolvidas e não interfere no andamento da ação criminal. O próprio termo estabelece que a autocomposição não poderá ser utilizada como prova ou fundamento para eventual responsabilização penal dos investigados. 

Com a renúncia da Gathi ao contrato, a Prefeitura informou anteriormente que o vínculo atualmente mantido com a Ubervan se tornou definitivo, sem necessidade de realização de nova licitação para a continuidade do transporte escolar rural. 

Embora não haja confirmação oficial de encerramento das atividades da empresa na cidade, o transporte das vans para fora do município ocorre em um momento em que a Gathi já não possui contrato vigente com a administração municipal e enfrenta desdobramentos judiciais decorrentes das investigações sobre a licitação do transporte escolar rural. A reportagem procurou a empresa para comentar a movimentação dos veículos, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestação.

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