A obra destoa da restauração feita em um imóvel vizinho, construído na mesma época, que rendeu reportagem no JM
Foto/Sandro Neves
Casa tombada e restaurada por franquia de cosméticos contrasta com imóvel ao lado, também tombado, mas que teve fachada modificada
Mudança na fachada de imóvel tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico de Uberaba (Conphau), na avenida Leopoldino de Oliveira, gerou insatisfação de quem quer ver preservadas a memória e riqueza arquitetônica da cidade. A “obra” destoa da restauração feita em um imóvel vizinho, construído na mesma época, que rendeu reportagem no JM. Construída na década de 1930, a casa, que hoje abriga uma franquia de cosméticos, teve papel importante ao servir de hospedagem para o ex-presidente Juscelino Kubitschek em suas visitas a Uberaba.
Segundo o engenheiro João Eurípedes Sabino, a construtora responsável pela obra ao lado da casa preservada pela franquia de cosméticos acabou de levantar uma “meia-água”, que é um telhado com um só plano de inclinação. Para o ex-integrante do Conphau, o que fizeram com a fachada do imóvel antigo, que deveria ser preservada pelo Conphau, é um absurdo. “Onde está a preservação da fachada, quando em sua frente construíram, convenhamos, um barracão totalmente em desacordo com as linhas do patrimônio histórico ali existente?”, questiona.
A medida também gerou a indignação de alguns uberabenses, que postaram em suas páginas pessoais da rede social Facebook várias mensagens contrárias à alteração na fachada histórica. As regras de preservação arquitetônica se reportam há décadas, mas a Lei nº 10.717/2008, mais recente, estabelece normas de proteção do patrimônio cultural do município.
Para os bens cujo valor histórico resida em suas características externas, por exemplo, ou que a proteção da fachada seja suficiente para assegurar a preservação cultural, é determinada a conservação das fachadas, seus componentes arquitetônicos externos e coberturas; as edificações poderão sofrer alterações internas, desde que respeitadas as características externas e que sejam utilizados métodos adequados de restauração.
O Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau) é órgão de caráter colegiado, consultivo e deliberativo, destinado a orientar a formulação da política municipal de proteção ao patrimônio cultural e responsável por acompanhar as intervenções que comprometam a preservação de bens com valor histórico no município.
O presidente do Conphau, Marcos Bilharinho, foi procurado pela reportagem do Jornal da Manhã para comentar qual seria o grau de proteção ao tombamento atribuído ao imóvel na avenida Leopoldino de Oliveira, porém ele não atendeu às ligações.
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