Montadoras de automóveis surgem no radar dos clubes de futebol para substituir as Bets. (Foto/Arquivo)
Segundo o UOL, os clubes brasileiros já avaliam alternativas para substituir as casas de apostas em seus principais espaços de patrocínio caso a medida provisória que veta as bets seja aprovada pelo Congresso. A tendência apontada por especialistas é de redução nos valores dos novos contratos.
O impacto pode ser significativo. As empresas de apostas foram responsáveis por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,07 bilhões investidos em patrocínios nos clubes da Série A, equivalente a um terço do total.
Com muitas equipes enfrentando dificuldades financeiras e dívidas elevadas, a possível perda dessa receita aumenta a pressão pela busca de novos parceiros comerciais.
Especialistas em marketing esportivo apontam alguns segmentos com potencial para ocupar os espaços deixados pelas bets. Entre eles aparecem bancos e fintechs, setor automotivo, varejo, indústria farmacêutica e empresas de alimentos e bebidas não alcoólicas.
Companhias de tecnologia, dados e inteligência artificial também são citadas como possíveis interessadas, embora a expectativa seja de que os valores oferecidos fiquem abaixo daqueles praticados pelas casas de apostas.
Montadoras chinesas que chegaram recentemente ao mercado brasileiro também aparecem entre as possibilidades. GAC, Leapmotor e BYD foram mencionadas como empresas que buscam ampliar sua presença e fecharam contratos no país neste ano.
Enquanto aguardam a definição sobre a medida provisória, os clubes também podem buscar acordos pontuais, incluindo ações comerciais específicas para períodos como a Black Friday.
A principal dificuldade está na dimensão dos contratos atuais. O Flamengo recebe R$ 220 milhões fixos por ano de seu patrocinador, enquanto o Corinthians tem aporte de R$ 150 milhões e o Palmeiras, de R$ 100 milhões.
A avaliação dos profissionais consultados é que nenhum outro segmento alcançou o nível de investimento realizado pelas empresas de apostas no futebol brasileiro.
Caso a saída das bets seja confirmada, vários clubes poderão procurar patrocinadores simultaneamente durante pelo menos 120 dias, cenário que tende a aumentar a oferta de espaços comerciais e pressionar os valores para baixo.
Ainda segundo matéria do UOL, além de encontrar novos patrocinadores, os clubes terão o desafio de construir relações comerciais mais amplas. A avaliação apresentada é de que os acordos não devem se limitar à exposição de uma marca na camisa.
A escolha dos parceiros também deverá considerar a relação entre a imagem do clube e a empresa interessada, além dos objetivos comerciais de cada patrocinador.
O impacto pode atingir ainda as placas de publicidade nos estádios, mercado que também recebeu investimentos elevados das casas de apostas.
Com a votação da medida ainda pendente, os clubes acompanham o cenário e começam a avaliar alternativas para reduzir uma eventual perda de receita em um dos principais espaços comerciais do futebol brasileiro.