O suposto milhão de reais roubado da Federação Mineira de Futebol na madrugada da última quarta-feira - parte da quantia foi recuperada pela polícia no mesmo dia - estava em cofre mantido na sede da entidade para evitar que os valores fossem bloqueados e retidos pela Receita Federal na conta bancária da entidade, devido a dívidas com o INSS. A informação é do próprio presidente da FMF, Paulo Schettino, que, em carta divulgada ontem, nega haver crime no ato de ele decidir manter o dinheiro no cofre, e não no banco, para escapar do bloqueio eletrônico da Receita. Ele não se pronunciou sobre o fato de o órgão receber valores vultosos em dinheiro vivo, em vez de transferência bancária - parte do dinheiro roubado era uma parcela dos direitos de transmissão do Campeonato Mineiro pela TV. “Não se trata de dinheiro devido ao INSS, portanto não há sonegação fiscal”, disse o dirigente máximo da federação. Na carta divulgada ontem, Schettino não revela qual foi o valor roubado da entidade. As primeiras informações sobre o roubo, no início da manhã de quarta-feira, davam conta de que teria sido de cerca de R$ 1 milhão. Após as prisões de quatro suspeitos, a cifra comentada foi de R$ 600 mil. A polícia recuperou até hoje cerca de R$ 400 mil. Parte dos integrantes do bando que cometeu a ação criminosa disse ser esse o valor integral do roubo. O dinheiro que estava guardado no cofre, segundo o presidente, era formado por repasses das cotas de transmissão do Campeonato Mineiro e de parte das rendas dos jogos que cabe à entidade. Se deixasse o dinheiro no banco, segundo ele, haveria o bloqueio eletrônico, que ocorre automaticamente, e ele não teria como arcar com as despesas da entidade, como a folha de pagamento e fornecimento de água e luz, por exemplo. O débito da FMF com o INSS ultrapassa R$ 20 milhões. Segundo Schettino, trata-se de dívida de gestões anteriores à sua. Schettino refere-se ao período em que a entidade era dirigida por Élmer Guilherme, de quem foi vice-presidente. Após denúncias de nepotismo (havia 28 parentes de Guilherme trabalhando na FMF), o cartola deixou o cargo que ocupou por 25 anos, em fevereiro de 2003. Durante a sua administração, afirmou Schettino, todas as dívidas são pagas regularmente. “Todo o numerário havido na FMF é escriturado e de fácil comprovação nos livros contábeis e auditados por auditores independentes, como determina a lei”, diz Schettino na carta. O roubo ocorreu durante a madrugada. Os assaltantes ficaram escondidos no prédio e sabiam onde estava o cofre, que foi aberto com maçarico. A polícia investiga suposto envolvimento de funcionários da Federação no crime. Mais quatro suspeitos são procurados. O porteiro da Federação, que foi espancado pelos assaltantes, está internado em um hospital. Seu estado é grave. Ele foi rendido por integrantes do bando logo no início da ação. O INSS em BH informou que somente a Receita Federal pode falar sobre o assunto. Por conta de uma reunião com os delegados da Superintendência da Receita Federal em Minas, não houve manifestação do órgão na tarde de ontem.