Dupla Fla-Flu, parceiros em outras edições do Campeonato Carioca, azedou a relação após discussão sobre Cotas de TV. Agora, decisão da Taça Guanabara voltou a unir as diretorias
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Fla-Flu, que esteve ameaçado de acontecer sem torcida, é ponto de partida para equipes superarem problemas e voltarem a se unir
A rivalidade mais do que centenária do Fla-Flu ficou de lado por um interesse em comum: o clássico com duas torcidas no Rio de Janeiro. Depois das recentes rusgas, Rubro-negro e Tricolor se reaproximaram e estreitaram laços para a final da Taça Guanabara, assegurada para hoje, às 16h (de Brasília), no Engenhão.
A semana foi longa e desgastante para os presidentes Pedro Abad e Eduardo Bandeira de Mello. Os dois tiveram sucessivas reuniões em conjunto e com os respectivos departamentos jurídicos até que o desembargador Gilberto Clóvis Farias Matos, da 15ª Câmara Cível, acolhesse o pedido de efeito suspensivo dos clubes e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) para a realização da final da Taça Guanabara com torcida mista.
Foi uma vitória dupla. O Fluminense tinha o mando de campo da decisão, mas se recusou a pisar no gramado com torcida única. Tanto que os clubes foram ao TJD-RJ (Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro) e se precaveram, solicitando autorização para jogar com portões fechados. O pedido foi deferido. Ou seja, se a liminar não tivesse caído, o Fla-Flu seria disputado sem público no Engenhão, em uma clara demonstração de união entre os rivais.
O cenário é bem diferente de quatro meses atrás. Na ocasião, os clubes ficaram em lados opostos e quase romperam relações entre si. Eram problemas com cotas de TV na Primeira Liga, quebra do acordo de cavalheiros em relação aos clássicos no Campeonato Brasileiro e, ainda, a polêmica pela partida entre os times em Volta Redonda. A última, inclusive, foi a gota d’água.
O Fluminense entrou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) com pedido de anulação do jogo por entender que houve interferência externa sobre a arbitragem em uma marcação de impedimento de Henrique. No lance apontado pelo Tricolor, o zagueiro fez um gol irregular e anulado corretamente.
Integrantes das diretorias do Flamengo e do Fluminense consideravam difícil uma aproximação, devido aos recentes acontecimentos. Mas Pedro Abad, que assumiu o Tricolor no fim do ano passado, e Eduardo Bandeira de Mello alinharam os ponteiros em nome de um interesse em comum. A partir do ato de defender as tradições do futebol carioca, espera-se que a convivência entre os clubes melhore ainda mais. Depois de tanto desgaste nos últimos dias, os dois só querem saber de mais um clássico.