José Carlos Peres foi eleito em dezembro do ano passado graças à costura de apoios políticos de diferentes grupos do Santos. Neste sábado (29), dez meses depois, ele tenta escapar do impeachment após entrar em rota de colisão com vários antigos apoiadores.
Além dos assessores mais próximos e leais, o mandatário passou a ter o empresário Renato Duprat como ponto de apoio à administração.
Duprat foi o responsável por sugerir a Peres a contratação do advogado José Edgard Galvão Machado para defendê-lo no processo de impeachment. Mas Machado não era estranho para Peres. Uma reportagem da Folha de S. Paulo revelou que ele usava em seus documentos o mesmo endereço da Hi Talent, empresa de agenciamento de atletas que teve como sócio Ricardo Crivelli, o Lica, contratado por Peres para ser coordenador das categorias de base.
Atualmente, Crivelli está afastado enquanto a polícia investiga denúncia de abuso sexual com um menor de idade que passou pelo clube, informação também revelada pela Folha.
Antigo patrocinador do Santos na década de 90, quando era dono da Unicór, Renato Duprat se tornou um nome que age nos bastidores do futebol, tentando azeitar acordos de transferência e contratos de patrocínio. Sua última ligação visível no esporte foi com o grupo multinacional Doyen, que fez contrato com o Santos que possibilitou as chegadas de Leandro Damião e Lucas Lima, em 2013.
Peres reconheceu que não foi possível cumprir a promessa de unir todos os santistas por ter percebido que havia correntes políticas que não estavam interessadas no bem do clube.