O ex-presidente do Uberaba Sport Club Publio Emilio Rocha apresentou nesta quinta-feira (17) uma proposta formal para adquirir 90% das ações da Uberaba Sport Club SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O documento, encaminhado pela Legado Gestão Desportiva e Participações, foi entregue ao Conselho Deliberativo e à direção atual do clube.
Pela proposta, os 10% restantes das ações permaneceriam vinculados ao associativo. O investimento previsto inclui o pagamento das dívidas de curto prazo do clube decorrentes do último Campeonato Mineiro, estimadas em cerca de R$ 500 mil, além de aportes anuais de R$ 1,5 milhão durante dez anos, o que totaliza R$ 15 milhões no período.
O plano também prevê a construção de um novo centro de treinamento (CT), com valor global estimado em R$ 10 milhões em obras ao longo dos cinco primeiros anos. Com o conjunto de investimentos, o aporte pode ultrapassar R$ 25 milhões, segundo a proposta.
Os recursos dos aportes recorrentes seriam destinados prioritariamente ao futebol profissional. A proposta prevê ainda a contratação de seguro-garantia, fiança, garantia bancária ou instrumento equivalente, em condições a serem definidas nos documentos definitivos, para dar segurança quanto ao compromisso de aportes.
Publio Emilio Rocha esteve à frente do Uberaba em 2003, quando o clube conquistou o Campeonato Mineiro com um time que teve Palhinha, Gilson Batata e Milagres, e média de público de cerca de 17 mil pessoas por jogo. Segundo ele, o projeto tem a torcida como ponto de partida para a reconstrução do clube.
"Como empresário e advogado construímos uma história de sucesso forte o suficiente para reerguer o clube mais tradicional do interior do Brasil. A proposta está na mesa para avaliação do Conselho Deliberativo, nós já fizemos pelo Uberaba Sport Club e faremos mais uma vez, se o conselho permitir", afirmou.
A Legado também propõe assumir ou quitar passivos previamente identificados, sempre mediante comprovação documental e aprovação das partes. Entre os parâmetros estão a quitação de dívidas do Campeonato Mineiro de 2026, até o limite de R$ 500 mil, e o tratamento de dívidas históricas até o limite de R$ 1,5 milhão. Os valores só entrariam no perímetro da operação quando devidamente discriminados, com indicação de credor, origem, natureza, valor e situação processual.
O centro de treinamento seria estruturado em etapas, destinado ao futebol profissional, às categorias de base e ao futebol feminino. O planejamento contempla diagnóstico do terreno, projetos, licenças, campo principal, vestiários, núcleo de performance, academia, fisioterapia e medicina esportiva, entre outras estruturas. A execução do CT estaria condicionada à entrada de novos recursos e ao fluxo de caixa excedente após a cobertura das necessidades essenciais do clube.
Em relação à governança, a Legado exerceria o controle correspondente aos 90% das ações, com Conselho de Administração e diretoria executiva de maioria indicada pela empresa. O associativo teria uma cadeira permanente no Conselho de Administração para acompanhar a gestão. A proposta reafirma a preservação do nome, escudo, cores, hino, história, troféus e símbolos do clube, além de manter a sede e a identidade vinculadas a Uberaba.
A operação ainda depende de diligência jurídica, societária, financeira, contábil, tributária, trabalhista, desportiva e reputacional, além da validação da titularidade das ações, da análise dos passivos, da regularidade perante as entidades esportivas e da aprovação pelo Conselho Deliberativo.
A apresentação da proposta não significa que a aquisição tenha sido concluída. A eventual transferência das ações dependerá da avaliação dos conselheiros, da assinatura dos documentos definitivos e do cumprimento das condições previstas.