O vazamento da mensagem de voz em que Felipe Melo chama Cuca de covarde, mau caráter e mentiroso fez com que o diretor de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, convocasse uma coletiva na manhã de ontem para se manifestar pela primeira vez sobre o afastamento do volante. O dirigente saiu em defesa do treinador e o blindou, dizendo que a decisão de excluir o camisa 30 do elenco - ele treinará em horários alternativos - foi sua.
“Acima de qualquer profissional aqui dentro, precisamos ter ordem, respeito e um ambiente bom. Só aí a gente tem possibilidade de vitórias. O Palmeiras vem em bom momento e precisamos manter a ordem. Após o jogo do Mineirão, o Felipe fez uma situação de desrespeito ao Cuca, muito forte. Eu ia até ficar em Minas até sábado para a missa de sétimo dia do meu pai, só que na quinta eu resolvi voltar, conversei com o Cuca quinta à noite e disse que falaria com o Felipe na sexta. Algumas coisinhas já tinham acontecido, inclusive uma multa naquele episódio com nosso preparador físico. Na sexta eu procurei o Felipe e tive longa conversa, disse que não aceitamos isso de maneira alguma. A decisão foi da diretoria executiva de futebol”, disse Mattos.
No sábado, após a vitória por 2 a 0 sobre o Avaí, Cuca disse que a decisão de afastar Felipe Melo foi tomada em consenso entre ele, Alexandre Mattos e o presidente Maurício Galiotte. Justificou dizendo que, em seu time ideal, Felipe Melo não se encaixaria. Na noite de segunda-feira, após o vazamento do áudio, o jogador deu uma entrevista à ESPN Brasil e revelou que "falou alguma coisa contra o Cuca" no vestiário do Mineirão. Este episódio de indisciplina pesou mais do que a parte tática.
De acordo com o dirigente, os episódios de indisciplina envolvendo Felipe Melo vinham se repetindo. O primeiro aconteceu dias depois da chegada de Cuca, quando ele discutiu com o preparador físico Omar Feitosa durante um treino. Na época, ambos foram multados. Mattos ainda disse que vinha tentando "colocar rédea" no jogador, mas não teve sucesso.