BOM OU RUIM?

Mauro Beting defende regras para bets e diz que futebol não acabaria sem patrocínios

Publicado em 20/09/2026 às 09:42
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Bets precisam de fiscalização e controle, defende Mauro Beting em sua coluna no Estadão (Foto/Rogério Pallatta-SBT)

O jornalista Mauro Beting, que mantém coluna de opinião no Estadão, defende que o futebol brasileiro não acabaria caso deixasse de contar com os recursos provenientes das empresas de apostas esportivas. Para ele, porém, simplesmente proibir ou retirar as bets do mercado também não resolveria os problemas provocados pelas apostas.

Em artigo publicado neste domingo (20), Beting argumenta que o setor precisa funcionar dentro de regras que permitam fiscalização, rastreamento das apostas e medidas para proteger principalmente as pessoas que perderam o controle sobre o jogo.

Na avaliação do jornalista, existe atualmente uma relação de dependência entre as empresas de apostas e diferentes setores ligados ao futebol, incluindo clubes e mídia.

DEPENDÊNCIA DAS BETS E IMPACTO ECONÔMICO

Beting cita dados para sustentar sua posição sobre a necessidade de regulamentação. Ele afirma que plataformas clandestinas poderiam movimentar até R$ 73 bilhões, dinheiro que deixaria de gerar impostos ao País durante quatro anos de atividade regulamentada.

O jornalista também aponta que, nos primeiros seis meses de 2026, as bets geraram R$ 2,5 bilhões destinados a políticas públicas, embora ressalte que as apostas também provocam redução no consumo e afetam outras atividades econômicas.

Ainda conforme os números apresentados por Beting, 83% do dinheiro aplicado foi devolvido aos apostadores.

Outro ponto levantado pelo colunista é a participação do mercado clandestino. Ele afirma que quase 45% das apostas são realizadas em sites ilegais e avalia que esse porcentual poderia aumentar caso o setor fosse proibido ou deixasse de ser regulamentado.

Beting também cita uma estimativa de que 0,46% da renda familiar dos brasileiros seja destinada às apostas.

JORNALISTA ALERTA PARA CASOS DE DEPENDÊNCIA

Apesar de defender a regulamentação, Mauro Beting faz críticas aos impactos das apostas sobre pessoas que desenvolvem dependência. Ele classifica a ludopatia como uma doença capaz de prejudicar indivíduos e famílias.

Durante as duas primeiras semanas da Copa, conforme os dados apresentados na coluna, mais de 250 mil pedidos de bloqueio de apostadores foram realizados pelos próprios usuários.

Para Beting, somente o bloqueio individual não é suficiente, porque uma pessoa com dependência poderia procurar outra plataforma para continuar apostando.

Entre as alternativas mencionadas pelo jornalista está a possibilidade de vincular as apostas ao CPF, permitindo que uma pessoa aposte em apenas um local. Ele também cita extratos e notificações das apostas para terceiros como possíveis mecanismos de acompanhamento.

FISCALIZAÇÃO EM VEZ DE PROIBIÇÃO

A posição defendida por Mauro Beting é de que o caminho não passa simplesmente pela repressão ou pela retirada das apostas esportivas do mercado.

O jornalista reconhece, inclusive, que faz parte desse ambiente como profissional da mídia e afirma não possuir uma solução definitiva para o problema.

Para ele, é necessário estabelecer um período de adaptação e ampliar os instrumentos de controle sobre a atividade.

Beting defende fiscalização, rastreamento das apostas, responsabilidade das empresas e proteção da integridade esportiva, com atenção especial aos danos que a dependência pode provocar nas pessoas.

Na conclusão de sua coluna, o jornalista sustenta que as apostas continuarão existindo e, justamente por isso, considera necessário estabelecer regras que sejam aplicadas ao setor e aos envolvidos.

QUEM É MAURO BETING

Mauro Beting é comentarista do SBT, TNT, Xsports, N Sports e BandNews FM. É escritor e documentarista, além de curador do Museu Pelé e do Museu da Seleção Brasileira. Mantém coluna de opinião no Estadão.

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