
Armando Mendonça é vice-presidente do Corinthians desde 2024 (Foto/Instagram)
O Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, por suspeitar que a demissão de um diretor do clube possa representar uma tentativa de intimidar testemunhas de uma investigação. A informação foi divulgada inicialmente pelo ge e confirmada pelo UOL.
O pedido foi encaminhado nesta sexta-feira (16) à 25ª Vara Criminal de São Paulo e está relacionado ao processo que apura possíveis irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians.
DEMISSÃO DE DIRETOR MOTIVOU PEDIDO
A solicitação ocorreu após o desligamento de Marcelo Munhoes, que ocupava a diretoria de Tecnologia da Informação do Corinthians e havia fornecido dados técnicos utilizados nas investigações.
Para o Ministério Público, a saída do funcionário pode causar receio em outras testemunhas convocadas para uma audiência marcada para 10 de novembro, prejudicando o andamento do processo.
Munhoes relatou que perdeu acesso aos sistemas internos e às contas de e-mail do clube. Em informações apresentadas à Promotoria, ele afirmou que o presidente Osmar Stabile relacionou seu afastamento a questões políticas e pressões internas.
MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA POSSÍVEL PRESSÃO
A Promotoria considera que a demissão, somada a manifestações públicas de Stabile em defesa de Armando Mendonça, pode comprometer a liberdade de outros funcionários para prestar depoimentos.
O órgão também pretende investigar se houve participação conjunta de dirigentes em possíveis atos de intimidação, hipótese que ainda não foi comprovada.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público apresentou a possibilidade de aplicação de outras medidas restritivas e anunciou uma nova investigação sobre as circunstâncias do desligamento.
DEFESA NEGA PARTICIPAÇÃO E CRITICA PEDIDO
Os advogados de Armando Mendonça rejeitam as suspeitas e afirmam que não existem provas de participação do vice-presidente na demissão de Marcelo Munhoes.
A defesa sustenta que a contratação e a dispensa de diretores são atribuições exclusivas da Presidência do Corinthians e considera que o Ministério Público está utilizando uma disputa política interna para justificar medidas anteriormente negadas pela Justiça.
Os representantes do dirigente também questionam a atuação do promotor Cássio Roberto Conserino e informaram que pretendem apresentar manifestações aos órgãos responsáveis pela fiscalização do Ministério Público.
Armando Mendonça tornou-se réu em junho, acusado de crimes relacionados à apropriação indébita, furto qualificado e coação durante o processo. Ele nega as acusações, e o novo pedido de prisão ainda depende de análise judicial