ESPORTE

Opinião sobre a fórmula de disputa do Campeonato Mineiro Módulo I

Publicado em 11/11/2010 às 11:25Atualizado em 17/12/2022 às 06:56
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A alteração na fórmula de disputa do Campeonato Mineiro Módulo I apanhou a muitos de surpresa. A obliteração nada disfarçada dos times do interior mineiro é, sem sombra de dúvidas, um exemplo claro e vergonhoso daquilo que não se pode fazer em nome do “desenvolvimento” do esporte, no caso específico, do futebol.

Nota-se, em situações como essa, o pior erro por parte daqueles que deveriam comandar e intervir em nome dos menos favorecidos: a omissão. Em Minas Gerais é evidente e discrepante a omissão por parte da Federação Mineira de Futebol, em nome dos clubes interioranos.

Dizer que a retirada da fase de quartas-de-final foi uma decisão dos clubes, não é disseminar uma mentira. No entanto, assim como acontece dentro de uma família, um pai não pode deixar, em hipótese alguma, que o filho faça algo errado e não tomar nenhuma atitude.

Em meio a essa mixórdia com graves tonalidades fúnebres, impossível não afirmar que a alteração na fórmula de disputa da competição pode ser, sem exagero, o decreto de morte lenta e dolorosa dos times fora do eixo metropolitano de Minas Gerais.

Tratando o futebol como um negócio, com a nova fórmula, é impossível  não enxergar que tal alteração significa um ponto a menos para aqueles que querem vender seu produto, sua marca, seu nome. Desta forma não seria exagero afirmar que – exceto para Cruzeiro e Atlético-MG – conseguir um patrocínio que banque o time durante a competição é quase o mesmo que obter uma graça divina. Para aqueles que trabalham ano a ano à procura de parceiros financeiros e empresariais, a tarefa ficou ainda mais árdua. Como ocorre em toda negociação, é preciso haver vantagem para todos os lados. Hoje, não há, de forma alguma, vantagem explícita ou maquiada em ajudar um clube do interior de MG a disputar o Estadual. Com as chances de disputar uma fase decisiva beirando medidas atômicas e quase inexistentes, cabe esperar apenas boa vontade por parte do empresário ou empresa que queira vincular sua marca ao clube, já que não se trata mais de um bom negócio. Afinal, quem vai apoiar uma equipe que poderá fazer apenas 11 jogos em uma temporada?

Como sempre deve ocorrer em meio às situações difíceis, é preciso haver tempo para se tirar aprendizados. Mesmo no luto, é preciso haver a luta. Assim, mais uma vez cabe demonstrar que se houvesse mais união, inteligência e competência por parte dos clubes do interior, talvez as coisas poderiam ser diferentes. A evidente necessidade de articulações por parte dos dirigentes dos clubes interioranos não pode mais ser deixada de lado. Se acontece de a FMF omitir-se em situações como essa, onde apenas os interesses dos gigantes são levados em consideração, o mesmo não pode ocorrer com as outras agremiações que disputam o certame estadual e outros torneios desenvolvidos pela mesma Federação madrasta. Faltou – e isso ficou claro – planejamento e diálogo por parte dos dirigentes dos clubes do interior, para colocar por sobre a mesa, argumentos (que são infinitos) demonstrando a real urgência de se modelar um campeonato onde todos, sem exceção, tivessem chance de lucrar, competir com dignidade e oferecer aquilo que é a essência do futebol à sua torcida: a alegria de ver seu time jogando, suando a camisa e brigando por uma causa – você, torcedor. Equipe de Esportes do Grupo JM de Comunicação

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