Vinnicius Silva/Cruzeiro
Presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, é um dos alvos de investigação da polícia
A Polícia Civil de Minas Gerais realizou mandados de busca e apreensão nas dependências do Cruzeiro Esporte Clube e nas residências de dirigentes e agentes ligados à cúpula na manhã desta terça-feira (9). Os agentes foram à sede administrativa, aos dois centros de treinamentos (Toca da Raposa I e Toca da Raposa II), à sede da Máfia Azul (torcida organizada) e às sedes das empresas IMM Assessoria e Consultoria Esportiva (ligada a Itair Machado) e Status Assessoria (ligada a Sergio Nonato dos Reis).
Também há mandados de busca e apreensão nas residências do presidente do clube Wagner Pires de Sá, do vice de futebol Itair Machado, do diretor-geral Sergio Nonato dos Reis, dos agentes Carlinhos Sabiá e Ângelo Pimentel e do empresário Cristiano Richard, responsável por emprestar R$2 milhões aos mineiros em março do ano passado.
Em 26 de maio, foi divulgado pelo "Fantástico" (TV Globo) que a polícia abriu investigação após denúncias de lavagem de dinheiro, falsidade de documentos e falsidade ideológica.
As autoridades investigam uma denúncia de que o clube tenha cedido percentuais de dez jovens - menores de 18 anos - das categorias de base para quitar uma dívida de quase R$2 milhões com um empresário. Além de ser considerado crime negociar o trabalho de um menor de idade, o repasse de direitos econômicos de atletas é proibido pela Fifa.
Em abril, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que o Cruzeiro é o clube que mais acumulou débitos com a União (trata-se de Imposto de Renda, débitos tributários e previdenciários, PIS, Cofins, FGTS, INSS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), mesmo depois de o governo federal perdoar dívidas milionárias a entidades esportivas com o Profut (Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro). São R$17 milhões em situação irregular, inscritos em setembro de 2018, na Dívida Ativa. O passivo, que inclui débitos em situação regular (esses parcelados ou em discussão judicial), do clube com a União é de R$54,8 milhões de acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Em nota, a diretoria do Cruzeiro disse apoiar as investigações, mas lamenta que as operações ocorram às vésperas das quartas de final da Copa do Brasil, que o time celeste começará a disputar nesta quinta-feira (11), em confronto de ida com o rival Atlético.