Cristiano Dresch afirma que clubes direcionaram o dinheiro das bets para aumentar salários de jogadores. (Foto/AssCom Dourado)
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, criticou a forma como clubes brasileiros utilizaram o dinheiro recebido de empresas de apostas e afirmou que o aumento das receitas acabou principalmente nos salários dos jogadores.
O dirigente contou que o Cuiabá recebeu diversas consultas de casas de apostas enquanto disputava a Série A, em 2023 e 2024, mas adotou a estratégia de pedir valores elevados para evitar novos acordos.
O clube havia mantido parceria com a Luck.bet, encerrada no fim de 2022, após menos de um ano. A empresa pagava R$ 800 mil para exibir sua marca no calção da equipe.
Desde então, Dresch decidiu não aceitar novas propostas do setor e relatou também que o Sicred condicionou a renovação de seu patrocínio à ausência de uma bet na camisa do Cuiabá.
Na avaliação de Dresch, o futebol brasileiro poderia ter aproveitado melhor o crescimento das receitas proporcionado pelas casas de apostas.
Ele afirma que os clubes elevaram os salários dos jogadores, em vez de direcionar os recursos para infraestrutura ou pagamento de dívidas, contribuindo para uma inflação no mercado.
O presidente também discorda da avaliação de que a saída do dinheiro das bets representaria o fim do futebol brasileiro.
Dresch declarou apoio à Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora considere difícil interromper as apostas de forma imediata.
O Cuiabá está há quase dois anos sem um patrocinador master. A última empresa a ocupar o principal espaço da camisa foi a Drebor, pertencente à família Dresch.
Mesmo sem esse contrato, o dirigente afirma que as receitas obtidas com outros patrocinadores são equivalentes ou superiores às registradas por equipes da Série B.
Com forte ligação comercial com o agronegócio, o Cuiabá passou a utilizar o espaço disponível na camisa para divulgar iniciativas do setor e busca fechar um novo acordo de patrocínio com empresas desse segmento.