Welington Antônio de Souza venceu na modalidade Bo e foi vice-campeão no Sai; viagem para disputar o campeonato foi custeada com ajuda de alunos, pais e amigos

(Foto/Reprodução)
O professor de artes marciais Welington Antônio de Souza, de Uberaba, conquistou dois títulos no Campeonato Brasileiro de Karatê e Kobudo, realizado entre os dias 17 e 18 de outubro. Ele foi tricampeão brasileiro consecutivo na modalidade Bo, que utiliza o bastão como arma, e vice-campeão na categoria Sai. Durante o mesmo evento, também foi aprovado no exame de faixa-preta de Kobudo, ampliando sua atuação como professor da modalidade.
O exame de graduação ocorreu em 16 de outubro e reuniu praticantes de diferentes níveis. Segundo Welington, 27 atletas prestaram a avaliação de Kobudo, e ele foi aprovado para a faixa-preta, tornando-se um dos primeiros representantes de Uberaba e de Minas Gerais a alcançar essa graduação.
A viagem, porém, foi marcada por dificuldades financeiras. Sem patrocínio de empresas ou apoio do poder público, o professor conseguiu reunir recursos com uma rifa e contribuições de alunos, pais e amigos. Ele viajou de ônibus, em um trajeto de aproximadamente 12 horas, e permaneceu cinco dias fora de casa. “Fui com pouco recurso, mas consegui ir com a ajuda dos alunos, pais. Fiz uma rifa, consegui vender. Mas com muita dificuldade lá”, relata.
Welington também levou a aluna Larissa Moreira da Silva para realizar o exame de faixa-preta de Karatê. Ela foi aprovada e representou Uberaba na avaliação.
A relação de Welington com as artes marciais começou na infância, quando ele tinha cerca de 10 anos. Nascido em Sacramento, mudou-se para Uberaba com os pais, que não tinham condições financeiras de pagar aulas de Karatê. A oportunidade veio por meio de um tio, que se ofereceu para custear os treinos.
O incentivo, segundo ele, ajudou a mudar suas escolhas e a desenvolver disciplina e autocontrole. Ao longo da juventude, precisou conciliar o treinamento com o trabalho, devido às dificuldades financeiras. Depois de se formar, começou a dar aulas e passou a compartilhar com os alunos os valores que aprendeu no esporte. “A história do Karatê para mim, como é que eu vou te falar, me livrou de muitas coisas”, afirma.
O professor conta que, naquela época, alguns amigos o convidavam para atividades que ele preferia evitar. Para não criar conflitos, dizia que não poderia acompanhá-los naquele momento. A disciplina desenvolvida nos treinos, segundo ele, foi importante para fazer escolhas e se afastar de situações que poderiam prejudicar sua trajetória.
Hoje, Welington é faixa-preta de 4º Dan em Karatê, bacharel em Educação Física e atua como professor há mais de 30 anos. Ele mantém o Studio Nakaipon, em sua própria casa, no bairro Josa Bernardino, onde oferece aulas para crianças e adultos.
A aproximação com o Kobudo começou em 2023, quando um professor de Praia Grande (SP) ministrou um seminário em Uberaba. A modalidade reúne técnicas tradicionais de Okinawa com armas como bastão, sai, tonfa, nunchaku e kama.
Naquele ano, Welington participou de uma competição brasileira e conquistou o título de Karatê na modalidade Kata, mas não venceu no Kobudo. A experiência o motivou a intensificar os treinos nas duas modalidades.
Em 2024, voltou a conquistar resultados no campeonato brasileiro. No ano seguinte, durante o Mundialito de Karatê e Kobudo realizado no Brasil, disputou cinco modalidades com armas e conquistou quatro medalhas: uma de ouro, uma de prata e duas de bronze. Ainda em 2025, obteve novos resultados no Campeonato Brasileiro.
A conquista mais recente, com o tricampeonato consecutivo no Bo e o vice-campeonato no Sai, veio acompanhada da aprovação como faixa-preta de Kobudo. Para Welington, a formação representa também a possibilidade de ampliar o trabalho com os alunos. “Eu amo o Karatê, tenho alunos aqui de todas as idades, e eu vejo que eu represento eles, e eles me representam”, disse.
Além dos resultados em competições, ele afirma que busca transmitir aos estudantes ensinamentos que vão além das técnicas de luta, como respeito, responsabilidade e cuidado na escolha das amizades. O objetivo, segundo o professor, é que a prática contribua para a formação pessoal dos alunos dentro e fora do tatame.