
Discussão sobre reforma do estatuto gera conflito entre dirigentes do Corinthians em ano eleitoral (Foto/Montagem)
A discussão sobre a reforma do estatuto do Corinthians provocou um confronto entre dirigentes durante reunião realizada no teatro do Parque São Jorge. O encontro expôs um racha interno na política do clube em um ano de eleições para a presidência.
A reunião teve como objetivo debater mudanças importantes no regimento do clube, entre elas a possibilidade de sócios-torcedores terem direito a voto e a criação de uma SAF. No entanto, o encontro foi marcado por acusações entre o presidente da diretoria, Osmar Stábile, e o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Jr.
Durante a sessão, Stábile afirmou que sofre interferências de Tuma em sua gestão. Ele também relatou uma ameaça que teria ocorrido dias antes e disse que não pode administrar o clube sob esse tipo de pressão. O diretor jurídico do Corinthians, Pedro Luís Soares, confirmou a versão apresentada pelo presidente.
Romeu Tuma Jr. respondeu afirmando que a reunião tinha como objetivo discutir a reforma do estatuto e não tratar de acusações. Após a manifestação, ele encerrou o encontro. Conselheiros presentes discutiram em tom elevado e houve troca de empurrões.
Depois da reunião, Tuma divulgou nota oficial dizendo que a atitude de Stábile foi uma tentativa de impedir a votação da reforma. Segundo ele, as acusações deveriam ter sido encaminhadas à Comissão de Ética e afirmou que pretende adotar medidas judiciais.
A reforma do estatuto também pode influenciar a eleição presidencial do Corinthians no fim do ano. Osmar Stábile ainda não confirmou se será candidato à reeleição e existe dúvida sobre a interpretação das regras atuais.
Um artigo do estatuto proíbe a reeleição para presidente. Porém, outro trecho permite que dirigentes que assumem o cargo após vacância possam disputar a eleição seguinte, desde que tenham permanecido na função por até 18 meses.
Stábile assumiu a presidência em maio de 2025 após o impeachment de Augusto Melo e foi confirmado no cargo para cumprir o restante do mandato em agosto do mesmo ano. A divergência ocorre sobre quando começa a contagem do prazo de 18 meses.
O projeto de reforma do estatuto propõe novas regras para casos de vacância. O texto estabelece que dirigentes que assumiram cargos eletivos poderiam disputar a eleição seguinte apenas se tivessem ocupado a função por até 12 meses antes do pleito.
Ainda assim, uma regra de transição prevê que a limitação não valeria para vacâncias ocorridas antes da aprovação do novo estatuto. Isso poderia abrir caminho para uma eventual candidatura de Stábile.
Após o impasse, a votação da reforma do estatuto será encaminhada para a Assembleia de Associados do Corinthians, que deve ser convocada pelo Conselho Deliberativo nos próximos dias.