Em meio a toda a pompa de sua apresentação oficial ao Corinthians, no fim da manhã de ontem, em uma entrevista coletiva muito concorrida no Parque São Jorge, o atacante Ronaldo fez questão de ressaltar que chega ao clube para ser "mais um", sem nenhum privilégio, e disse não acreditar que sua presença possa criar clima de ciúme no elenco.
Além de centenas de repórteres do Brasil e do exterior, torcedores encheram as arquibancadas da Fazendinha para receber o atacante, tratado como uma das principais contratações da história do time. Até a tradicional sirene foi reativada para anunciar a chegada do astro.
"Eu nunca tive este tipo de problema em clube nenhum e nem na seleção. Já liguei para o Mano [Menezes, técnico corintiano] e deixei bem claro que sou somente mais um que está chegando, com direitos e deveres iguais. Não terei privilégios em relação a nenhum jogador", disse Ronaldo, ontem.
Antes mesmo de o Corinthians acertar a contratação do atacante a diretoria já se preocupava em não melindrar os outros jogadores e não permitir que isso gerasse reações adversas no grupo.
O jogador, inclusive, disse acreditar que terá que ser até mais esforçado que seus companheiros porque também será mais cobrado.
"Tenho total consciência de que serei o mais cobrado nos treinos e nos jogos e não vou fugir dessa responsabilidade", afirmou o atleta de 32 anos, que ainda se recupera de uma cirurgia no joelho esquerdo realizada em fevereiro, quando era atleta do Milan.
Os vencimentos de Ronaldo são a maior preocupação dos cartolas para evitar a "ciumeira". Ele deve receber cerca de R$ 400 mil mensais, entre salário em carteira e direitos de imagem. O restante de sua renda, que pode chegar a R$ 15 milhões em um ano, virá da exploração de novos patrocínios na manga da camisa e no calção.