ESPORTE

Torcedor exequente afirma que interesse é a prestação de contas

O JM ainda conversou com Sebastião César de Azevedo e constatou que a intenção do torcedor é que seus antigos gestores sejam punidos

Tulio Micheli
Publicado em 27/01/2017 às 07:59Atualizado em 16/12/2022 às 15:29
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Foto/Arquivo

Serginho garante que ação não visa lucro, mas, sim, respeito ao Naça

O Jornal da Manhã ainda conversou com Sebastião César de Azevedo – conhecido no meio da torcida alvinegra como Serginho Cabaça –, e constatou que a intenção do torcedor é que seus antigos gestores sejam punidos por atividades financeiras que ninguém sabe como foram ou se foram aplicadas no clube.

“Não tenho o menor interesse nesse recurso oriundo da multa do processo. A minha intenção não é, nem nunca foi, conseguir dinheiro com isso. A nossa intenção, falando em nome do grupo de torcedores, é que o Nacional não seja ainda mais prejudicado por conta de recursos que entraram no clube, mas ninguém sabe como ou onde foram aplicados. Um exemplo disso é a parte do terreno do JK que foi vendida e hoje está instalada uma agência dos Correios. Mesmo depois de tantos anos, ninguém sabe o que foi feito com o dinheiro dessa venda. Outros questionamentos envolvem também venda de jogadores. O Nacional precisa ser respeitado, e se depender desse nosso grupo de torcedores, o nosso Alvinegro não será nunca mais prejudicado”, sentenciou Serginho.

Serginho garantiu que não existe a menor chance do processo ser extinto, pois o mesmo já está transitado em julgado até na 2ª estância. “Ninguém vai tirar processo nenhum, e ninguém também quer dinheiro. A nossa única e exclusiva intenção é que a prestação de contas seja apresentada. Caso não consigam, os antigos gestores do clube vão ter que ser responsabilizados”, finalizou. Salem garante que documentação da sua gestão está em dia

Foto/Arquivo

Salem, presidente de 2010 a 2015

A reportagem também conversou com o empresário Salem Ibrahim El Messih, presidente do Alvinegro de 2010 a 2015. Segundo ele, todos os documentos, balancetes, livros e recibos referentes à sua gestão estão com o contador do clube. Curiosamente o contador é Márcio José da Silva, atual presidente do clube.

“Sempre nos esforçamos para conseguir manter o patrimônio do Nacional e colocar um time dentro das competições, mas nem sempre foi possível. Em muitas oportunidades, conseguimos evitar até mesmo leilões por conta de ações trabalhistas, e tivemos sucesso em muitas decisões. Estou completamente tranquilo com relação a nossa gestão. Todos os documentos necessários para a apresentação de contas se encontram com o Márcio, que era nosso contador na época. Não creio que teremos problemas com relação ao período que respondi pelo Nacional”, garantiu o empresário.

Salem também falou sobre o processo envolvendo o Naça, as eleições e seu futuro no clube. “A única coisa que tenho certeza sobre o Nacional é que nunca mais na minha vida faço parte de qualquer diretoria. Vou continuar ajudando como posso, mas não passarei de um torcedor. É muito triste ver o Nacional nesta condição a que chegou. Esse clube tinha tudo para ser um dos maiores do Estado. Fui convidado a estar no JK hoje para as eleições, mas pelo que estou vendo nos bastidores, dificilmente alguém vai ter coragem para assumir o clube numa situação como esta em que se encontra”, finalizou Salem. Abocater garante que não deixou dívidas no Naça

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Ex-presidente Abocater diz que não teme processo, pois, em sua gestão, clube não ficou devendo absolutamente ninguém

A reportagem ainda conversou com Carlos Nogueira Abocater, presidente do Nacional desde a década de 90 até meados de 2004. Segundo ele, nas suas gestões, o Nacional jamais deixou dívidas, e que ação impetrada por torcedores não tem cabimento.

“Eu não estou acreditando nisso que estou ouvindo [Abocater garantia não saber do desenrolar do processo]. Nas minhas gestões, o Nacional nunca ficou devendo um centavo. Todos os documentos foram entregues, na época, para o José Humberto, que era o presidente que estava me substituindo. E a minha defesa é muito simples. Se o Nacional tivesse qualquer impedimento jurídico, ou certidão que não fosse a negativa, jamais teríamos promovido tantos bingos, que naquela época eram permitidos”, ponderou o ex-presidente.

Abocater ainda fez questão de criticar a ação promovida por torcedores. “Essa ação é algo que não tem cabimento. Eles precisam entender que isso está prejudicando o próprio clube deles, pois quem está saindo perdendo nisso tudo é o próprio Nacional. Minha defesa é muito simples. Nunca deixei o clube devendo nada, e não vai ser agora que serei responsabilizado por isso”, finalizou o ex-dirigente.

A reportagem ainda tentou contato com Paulo Roberto Galinho, mas em todas as tentativas, as ligações foram encaminhadas para a caixa de mensagens.

Sobre as contas da época de José Humberto de Moraes, não se sabe no poder de quem se encontram os documentos. José Humberto faleceu em outubro de 2012, vítima de câncer. Diretor financeiro assegura prestação de contas nesta noite Foto/Arquivo

Toninho quer nova vida ao Naça

Fechando as informações sobre este episódio que assola o Expressinho da Rodovia, o Jornal da Manhã ainda conversou com Antônio Carlos Oliveira – popular Toninho, diretor financeiro há anos do Naça. Segundo ele, mesmo com tantos problemas, a intenção é que o Naça promova mesmo as eleições nesta noite, e ainda sim, conselheiros e sócios tomem conhecimento da prestação de contas dos últimos cinco anos no clube.

“Essa situação vem cansando aqueles que lutam diariamente pelo Nacional. Somente hoje [ontem] me reuni com quatro advogados diferentes. Tudo isso pra conseguir manter o Nacional vivo e de pé. As eleições vão acontecer, sim, e tenho certeza que o Márcio vai repensar a sua decisão. A minha primeira meta é mostrar para todos os presentes que essa administração que envolveu o Salem e o Márcio sempre teve controle da situação. Todos os documentos serão apresentados e, com certeza, o Nacional começará uma nova vida a partir de hoje”, finalizou o dirigente.

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