“Minas Gerais não é só a Capital”, afirma Rodrigo Alcino ao defender distribuição mais ampla de recursos para o futebol mineiro (Foto/USC)
Clubes profissionais de Minas Gerais encaminharam nesta quarta-feira (30) um requerimento conjunto à Federação Mineira de Futebol (FMF) e ao Governo do Estado pedindo uma audiência virtual urgente para discutir políticas de apoio e patrocínio ao futebol mineiro.
O movimento defende que os recursos e as iniciativas de incentivo alcancem, de maneira isonômica, os clubes profissionais federados que disputam as competições oficiais organizadas pela FMF.
Um dos dirigentes que encabeçaram o movimento é o presidente do Uberaba Sport Club (USC), Rodrigo Alcino. Ele defende maior participação das equipes do interior nas discussões sobre a destinação de recursos ao futebol estadual e questiona a concentração de investimentos em poucos clubes.
“Minas Gerais não é só a Capital. R$ 32 milhões apenas para três times é muito dinheiro. O futebol começa no interior”, afirmou o presidente do USC.
Rodrigo Alcino também argumenta que, quando se trata de dinheiro público, os investimentos no esporte devem produzir retorno social, especialmente por meio da formação de atletas e do fortalecimento das categorias de base.
“Se é dinheiro público, ele é bem-vindo para fazer sua finalidade social na formação de mais jogadores”, declarou.
IGUALDADE NA DISTRIBUIÇÃO
No documento, os clubes sustentam que o futebol profissional mineiro não está restrito às principais equipes do Estado. As agremiações do interior mantêm elencos profissionais, geram empregos, movimentam comércio e serviços em suas cidades, trabalham na formação de atletas e desenvolvem atividades de impacto social.
O requerimento destaca ainda que muitas dessas equipes trabalham com recursos limitados e enfrentam custos elevados para participar das competições oficiais. Para os signatários, a sobrevivência desses clubes é fundamental para manter os campeonatos estaduais, revelar jogadores e garantir a presença do futebol profissional em diferentes regiões de Minas Gerais.
Entre as reivindicações está a inclusão dos clubes dos Módulos I e II, da Segunda Divisão e também do futebol feminino nas iniciativas de apoio.
CRITÉRIOS PÚBLICOS
Os dirigentes também querem que eventuais programas de incentivo tenham critérios objetivos, públicos e transparentes. Uma das propostas é estabelecer cotas de recursos de acordo com cada divisão, levando em consideração as diferentes realidades das competições.
O documento solicita que sejam apresentados e discutidos os critérios de participação, as modalidades de apoio, as contrapartidas exigidas dos clubes e o cronograma de implantação das iniciativas.
Outro ponto defendido por Rodrigo Alcino é a destinação de recursos específicos para as categorias de base e para o futebol feminino, ampliando o alcance dos investimentos para além das equipes profissionais masculinas.
REUNIÃO COM O GOVERNO
Os clubes pedem que a FMF faça a articulação com o Governo de Minas Gerais para a realização da audiência virtual na primeira data disponível. A intenção é reunir representantes dos clubes signatários, da Federação, do Governo estadual e das empresas e entidades envolvidas nas iniciativas de apoio ao futebol.
Os signatários afirmam estar disponíveis para apresentar documentos, informações e propostas de contrapartidas. O objetivo, segundo o requerimento, é construir um modelo de incentivo que considere as diferentes competições e regiões de Minas Gerais e ofereça oportunidades de acesso aos clubes profissionais abrangidos pela proposta.