
Proposta envolve metas, percentuais compartilhados e necessidade financeira do clube (Foto/Rodrigo Coca ECCP)
A proposta do Milan por André chama atenção pelo valor anunciado: até 17 milhões de euros, cerca de R$ 103 milhões na cotação atual, por 70% dos direitos econômicos do volante revelado no Parque São Jorge. Internamente, o Corinthians considera a negociação avançada. Porém, o valor que efetivamente entraria nos cofres do clube seria menor do que o divulgado.
A oferta prevê 15 milhões de euros fixos e mais 2 milhões condicionados a metas. Esses bônus dependem da participação do jogador em 20 partidas pelo time profissional, com pelo menos 45 minutos em campo, até a paralisação para a Copa do Mundo. Portanto, nem todo o montante é garantido.
Além disso, o Corinthians não possui a totalidade dos 70% envolvidos na proposta. Há percentuais que não pertencem ao clube e descontos obrigatórios que reduzem o valor líquido da operação. Mesmo com a previsão de 20% de mais-valia em uma futura venda, o retorno adicional dependeria de uma revenda bem-sucedida por parte do Milan.
André abriu mão da parcela a que teria direito na negociação, mas manteve os 30% dos direitos econômicos que detém. O volante tem 19 anos, é titular da equipe e soma 23 jogos como profissional, com quatro gols marcados. Formado no clube, é considerado um ativo técnico e financeiro em valorização.
Ao vender agora, o Corinthians antecipa receita, mas diminui a possibilidade de lucro maior em caso de evolução do atleta ou de uma transferência futura por valores mais altos.
O cenário financeiro pesa na decisão. O clube enfrenta pressão de caixa e busca equilíbrio nas contas. A proposta atende à necessidade imediata, mas, pela composição do negócio, é vista por parte do ambiente interno como uma operação motivada pela urgência.
Se o presidente Osmar Stabile aprovar a venda, André assinará contrato de cinco anos com o Milan, etapa que formaliza a transferência e libera o pagamento.
Após a eliminação na semifinal do Paulistão para o Novorizontino, o técnico Dorival Júnior criticou a condução do mercado. Ele afirmou que o jogador deveria permanecer para amadurecer e oferecer retorno técnico antes de uma venda. Segundo o treinador, o clube deve vender quando considerar adequado, e não por qualquer proposta.
Logo depois da entrevista, o executivo de futebol Marcelo Paz confirmou a negociação. Ele afirmou que a diretoria age com transparência e que a decisão final caberá ao presidente. Também destacou que o clube precisa negociar jogadores para manter as contas em dia e evitar encerrar o ano com déficit.