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14º salário para aposentados poderá aquecer as vendas de Natal

Proposta do senador Paulo Paim, se aprovada, poderá amenizar impacto causado pela antecipação do 13º

Publicado em 10/11/2020 às 15:33Atualizado em 19/12/2022 às 06:05
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14º salário para aposentados seria forma de aquecer a economia brasileira no fim de ano – Fonte Pxhere

Diante da desaceleração na economia provocada pela pandemia do novo coronavírus, as vendas de Natal, que sempre provocam um estímulo na economia, adquiriram uma importância ainda maior em 2020. Porém, a antecipação do 13º salário para beneficiários do INSS deve deixar muitos aposentados e pensionistas sem a possibilidade de aproveitar este Natal da mesma forma como nos anos anteriores.

O 13º, cuja segunda parcela é habitualmente paga entre o fim de novembro e o mês de dezembro, foi adiantado neste ano para abril, maio e junho pelo governo, com o objetivo de injetar dinheiro na economia exatamente no momento em que o consumo despencou.

Assim, o benefício, que muitos aposentados e pensionistas costumam utilizar para despesas como viagens, presentes e conforto no fim de ano, desta vez se tornou uma solução para o pagamento de dívidas e para novas necessidades que surgiram com a pandemia – como o uso de táxi ou aplicativo de transporte no lugar do transporte público, por exemplo.

Há mais de 35 milhões de beneficiários do INSS. Grande parte deles não conseguiu economizar parte do 13º e agora terá que reinventar o fim de ano. Gastos com tradições natalinas e com a companhia da família terão que ser revistos.

Para aliviar o fim de ano dos beneficiários, está em tramitação no Congresso uma proposta do senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que propõe o pagamento de um 14º salário a aposentados e pensionistas em 2020 – o parlamentar solicitou que a proposta seja discutida em caráter de urgência.

Segundo Paim, 80% dos beneficiários recebem um salário mínimo por mês e o abono extra seria um alívio para os municípios que dependem da renda de aposentados e pensionistas, que representam 64% das cidades brasileiras

“O 14º salário vai representar algo em torno de R$ 42 bilhões em dinheiro novo no comércio local, nos municípios, gerando emprego e renda, gerando imposto, melhorando a qualidade de vida, movimentando a economia local e fortalecendo a vida de todos. Teremos mais empregos para colaborar com a retomada do crescimento do país”, disse Paim.

No entanto, a expectativa é de que o projeto não entre na pauta do Congresso a tempo de que o 14º seja enviado aos aposentados e pensionistas.

Outra solução viável para injetar dinheiro no fim de ano de muitas famílias é a possibilidade de fazer um empréstimo para aposentado já que o empréstimo consignado para beneficiários do INSS teve o limite ampliado pelo governo em outubro através de uma medida provisória do presidente Jair Bolsonaro. Empréstimo consignado é aquele cujas parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, o que permite a cobrança de juros mais baixos que o empréstimo convencional.

A medida vale até 31 de dezembro ou enquanto durar o decreto de calamidade pública em função da pandemia. Agora, aposentados e pensionistas podem comprometer até 40% da sua renda em consignado – mais que os 30% permitidos até o mês passado – desde que 5% seja destinados para saque ou pagamento da fatura do cartão de crédito

O empréstimo consignado tem crescido entre beneficiários do INSS. No primeiro semestre de 2020, as concessões de empréstimo nessa modalidade para aposentados e pensionistas cresceu 25% em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento da faixa de comprometimento da renda mais a redução da taxa de juros dos consignados para 1,80% a.m. visa facilitar o acesso ao crédito e a consequente injeção de divisas na economia brasileira, mas o problema é que pode tornar o aposentado um refém dos empréstimos. Muitos deles inclusive mal saem de um empréstimo e já entram em outro, comprometendo sempre parte dos benefícios.

Um exemplo disso, ocorreu com a enfermeira aposentada Eloá Maria Pimenta da Silva, de 80 anos e moradora da zona leste de São Paulo. Segundo contou à Agência Pública, ela contraiu seu primeiro empréstimo consignado há 27 anos para ajudar a filha a estudar na Alemanha. A partir de então, a prática se tornou constante para outras finalidades. “Os juros eram baixos e era uma coisa certa porque já vinha descontado no holerite, não era de risco”, comentou Eloá.

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