MILHARES DE VÍRUS

42 mil vírus nunca descritos pela ciência são encontrados em cidades; veja onde

Publicado em 25/08/2026 às 09:08
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Pesquisa analisou quase 3 mil amostras de metrôs, hospitais, bancos, praças e redes de esgoto de 102 cidades, incluindo São Paulo; cientistas dizem que descoberta não representa ameaça imediata à população

Um estudo internacional identificou mais de 42 mil vírus de RNA que ainda não haviam sido descritos pela ciência em diferentes ambientes urbanos. As amostras foram coletadas em 102 cidades de 31 países, incluindo São Paulo, e analisaram locais como metrôs, hospitais, bancos, praças e redes de esgoto.

A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, catalogou ao todo 54.945 espécies de vírus de RNA. Cerca de 77% delas nunca haviam sido identificadas anteriormente.

Apesar do número expressivo, os pesquisadores ressaltam que a descoberta não significa que a população esteja diante de uma nova ameaça sanitária. A maioria dos vírus encontrados não é capaz de infectar seres humanos.

Onde os vírus foram encontrados?

O levantamento analisou 2.922 amostras biológicas. Parte delas foi coletada em superfícies de contato frequente, como corrimãos, bancos, estações de transporte público e máquinas de bilhetes.

Também foram utilizadas informações de bancos de dados públicos com amostras de ambientes próximos às cidades, incluindo solo, sedimentos, água doce e redes de esgoto.

Em São Paulo, foram analisadas amostras coletadas em ambientes urbanos e hospitais.

Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada metatranscriptômica, que permite analisar simultaneamente o RNA presente em uma amostra e identificar diferentes organismos e vírus sem a necessidade de isolá-los individualmente.

Quais vírus podem infectar humanos?

Entre os vírus de RNA estão agentes conhecidos por causar doenças como dengue, zika, gripe, febre amarela e Covid-19.

No entanto, encontrar uma sequência viral em uma superfície não significa que ela seja capaz de causar doença em humanos.

De acordo com a análise, foi possível estimar o hospedeiro de apenas cerca de um terço das sequências identificadas. Mais da metade desse grupo corresponde a bacteriófagos, vírus que infectam exclusivamente bactérias.

No cruzamento com um banco de dados global, os pesquisadores identificaram 60 vírus com possibilidade de infectar seres humanos. Apenas 19 deles haviam sido encontrados em superfícies urbanas.

Descoberta não significa risco imediato

Apesar da presença de vírus potencialmente capazes de infectar humanos, os cientistas afirmam que os resultados não indicam uma ameaça imediata à saúde pública.

Isso porque a identificação de material genético de um vírus não comprova que ele esteja ativo, que consiga infectar pessoas ou que seja capaz de provocar uma doença.

O estudo também não permite concluir que determinados locais ou cidades sejam necessariamente mais perigosos do que outros.

São Paulo aparece entre as cidades analisadas

A pesquisa incluiu amostras de diferentes ambientes em São Paulo. Em hospitais da capital paulista, os pesquisadores observaram maior presença de vírus pertencentes a famílias associadas a patógenos de animais vertebrados em comparação com alguns hospitais analisados em outras cidades.

O resultado, porém, deve ser interpretado com cautela.

Antônio Pedro Carmago, professor do Instituto de Química da USP e um dos autores do estudo, destacou que diferenças entre os locais podem estar relacionadas simplesmente à forma e ao volume das amostras coletadas.

Os próprios pesquisadores ressaltam que limitações na amostragem dificultam comparações diretas entre países e cidades.

“Ponta do iceberg”

Para os cientistas, os mais de 42 mil vírus desconhecidos representam apenas uma pequena parte da diversidade viral existente nos ambientes urbanos.

Novas coletas e análises devem revelar ainda mais espécies que permanecem desconhecidas pela ciência.

A pesquisa ajuda a ampliar o conhecimento sobre a diversidade de vírus presentes nas cidades e pode contribuir para o monitoramento de possíveis agentes infecciosos no futuro — mas, segundo os autores, não há motivo para interpretar a descoberta como sinal de uma epidemia ou de um risco imediato para a população.

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