GERAL

65% dos trabalhadores da Cemig no Triângulo aderiram à greve da categoria, diz sindicato

Publicado em 29/11/2021 às 14:56Atualizado em 18/12/2022 às 17:14
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Trabalhadores da Cemig deflagraram greve nesta segunda-feira (29) em Minas Gerais. A informação foi repassada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Energética em Minas Gerais (Sindieletro-MG). De acordo com a associação, o ato se dá pela falta de diálogo com Zema e pela antecipação da privatização da empresa. Na nota do Sidieletro -MG diz que 90% da categoria não aceitou a proposta de reajuste feita pela Cemig.

São cerca de 900 trabalhadores ativos associados ao Sindieletro na regional do Triângulo Mineiro. Desses, 65% aderiram à greve, conforme o coordenador regional do sindicato, William Franklin. O coordenador disse que a paralisação inclui todas as áreas da companhia. “Do pessoal da linha de frente estão cerca de 80% parados", disse. Em Uberaba são 120 funcionários no setor operacional, dos quais 78 aderiram ao movimento, segundo Franklin. Ainda conforme o coordenador, no caso de algum sinistro ou situação de urgência na rede, o Sindicato irá entrar em contato com os trabalhadores que retornarão de imediato para não prejudicar a sociedade.

William Franklin descartou que a motivação na greve seja salarial. “A Cemig desde o início do governo Zema está perseguindo o objetivo de privatização da empresa, de venda da empresa, que está dando esse ano um lucro recorde de mais de 3 bilhões de reais. Eles estão querendo vender a empresa para um grupo de sócios só, quando na verdade é uma empresa que, ao dar lucro, ela também distribui dividendos para o Estado, ou seja, beneficia toda sociedade mineira”, disse o coordenador regional do Sindieletro em entrevista à Rádio JM.

Segundo ele, a empresa tem tirado benefícios dos trabalhadores para tornar a empresa mais atraente para futura privatização, o que tem prejudicado a reposição da mão de obra no quadro de colaboradores.

"A estatal está sendo desmontada pelo governo para ser privatizada e é alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa que aponta várias irregularidades cometidas pelos gestores indicados pelo governador, grande parte deles constituída de paulistas", afirmou o sindicato em nota enviada à imprensa.

Além disso, o Sindieletro questiona privilégios que seriam garantidos "à alta cúpula". No comunicado, o sindicato afirma que apoia a CPI da Cemig e que defende o afastamento do presidente Reynaldo Passanezi Filho até que sejam concluídas as apurações.

A assessoria da Cemig enviou uma nota ao Jornal da Manhã dizendo que o Sindieletro recusou proposta de reajuste salarial superior a 11% oferecido pela Companhia a todos seus empregados. O reajuste incidiria sobre salários e benefícios, como vale-refeição e auxílio educação, entre outros. Na nota, a Cemig diz que a adesão à paralisação é mínima, sem qualquer prejuízo operacional. E acrescenta que a proposta de reajuste foi aceita por 13 dos 16 sindicatos que representam empregados da Companhia.

A CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) criada para investigar possíveis irregularidades na gestão e o uso político da Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig) aprovou, em reunião dia 3 de novembro, três requerimentos para dar continuidade nas investigações, agora prorrogadas ao menos até fevereiro do próximo ano.

A prática de validar contratações sem licitação, apesar de prevista em lei, deveria ser utilizada somente em casos excepcionais, mas virou regra na atual administração da Cemig, segundo os deputados da  comissão da ALMG.

Exec - Ouvido na condição de testemunha, o que vai se repetir neste novo depoimento, ainda a ser agendado, o diretor da Cemig admitiu ser o responsável pela convalidação do contrato celebrado pela Cemig com a Exec, consultoria headhunter especializada no recrutamento de executivos no mercado.

A Exec comandou o processo de escolha do atual diretor-presidente da estatal, Reynaldo Passanezi Filho. Conforme já apurado pela CPI, a Exec teve o seu contrato com a Cemig convalidado, sem licitação, e recebeu o pagamento de R$ 170 mil.

A convalidação foi aprovada em fevereiro de 2020, mais de 30 dias depois de Reynaldo Passanezi, que validou o ato, ter sido nomeado para o cargo. Ou seja, o atual presidente da Cemig “contratou” a empresa que o selecionou.

Presidente da Cemig teria interferido para favorecer AeC

Os mesmos deputados foram autores de outro requerimento aprovado, desta vez para que sejam convocados a prestar depoimento na CPI, também na condição de testemunhas, sete diretores da empresa de call center AeC. São eles: Ricardo Falci Souza, Gustavo Antônio Wanderley Teixeira, João Luiz Noronha, Celso Mateus Raphael Ramiro, Raphael Ribeiro Dualibi, Luciano Rodrigues da Silva e Gustavo Cavalcanti Morais.

A empresa também está na mira da CPI da Cemig após ter sido subcontratada pela multinacional de tecnologia IBM Brasil para dar seguir responsável pelo serviço de call center da estatal, mesmo mesmo após ela não ser selecionada em licitação para o mesmo fim.

A empresa foi fundada por Cássio Azevedo (já falecido), ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Governo Zema. Essa manobra teria tido a interferência direta do presidente da Cemig, como revelou em depoimento João Polati Filho, ex-diretor-adjunto de Suprimentos, Logística e Serviços Corporativos da estatal.

IBM Brasil - O próprio contrato celebrado pela Cemig com a IBM Brasil também é investigado pelos deputados na CPI. Mais uma vez, o contrato foi celebrado sem licitação e pelo prazo inédito de dez anos, em janeiro deste ano.

E a subcontratação suspeita ainda pode render mais prejuízos à Cemig, diante da ameaça da empresa que venceu a mesma licitação de call center, a Audac, de entrar na Justiça para cobrar os investimentos feitos ao longo de meses sem que a direção da estatal desse a autorização para início da prestação do serviço.

Publicidade – Por fim, ainda atendendo a requerimento de Sávio Souza Cruz, Professor Cleiton e Beatriz Cerqueira, foi aprovado requerimento para que a atual direção da Cemig preste contas de todos os gastos realizados com publicidade institucional nos últimos dois anos. Segundo o requerimento, a Cemig deverá informar valores, empresas contratadas e o objeto resumido da contratação.

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