ABSURDO

Advogada é acusada de cobrar R$ 4 mil para apagar dados de celular apreendido em investigação

Segundo denúncia, dinheiro seria repassado a perito da Polícia Civil para apagar ou suprimir dados de aparelho apreendido em investigação por tráfico de drogas

Publicado em 02/09/2026 às 09:37
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Uma advogada de Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, tornou-se ré após a Justiça aceitar uma denúncia contra ela por tráfico de influência. Segundo a acusação, Daniela Gomes Ibrahim teria pedido R$ 4 mil a familiares de um homem investigado por tráfico de drogas para supostamente repassar o dinheiro a um perito da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

A denúncia aponta que o objetivo seria interferir em uma perícia realizada em um celular apreendido durante a investigação, com a finalidade de apagar ou suprimir dados que poderiam ser utilizados como prova contra o investigado.

A decisão que determinou o prosseguimento da ação penal é da 2ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Ponte Nova.

Conversa teria registrado pedido

Uma gravação que circula nas redes sociais registra uma conversa atribuída à advogada e a uma mulher que seria parente do investigado. No diálogo, a interlocutora questiona se o valor solicitado para o perito seria de R$ 4 mil.

Segundo o conteúdo da gravação, a advogada confirma o valor e afirma que o procedimento seria realizado por meio do sistema. A mulher também diz que havia conseguido parte do dinheiro e que tentaria obter o restante com os familiares do investigado.

Durante a conversa, a advogada teria solicitado dados pessoais, como nome completo, CPF, telefone e e-mail, e afirmado que a situação era urgente.

Acusação de tráfico de influência

De acordo com a decisão judicial, a suposta solicitação de dinheiro surgiu no curso de outro processo, no qual um homem responde por tráfico de drogas.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) considerou que existe relação entre os dois casos porque, em tese, a suposta prática de tráfico de influência teria sido realizada para beneficiar o investigado no processo relacionado às drogas.

Na avaliação da Justiça, a acusação envolve, em tese, o uso da atividade profissional da advogada para obter vantagem ou favorecer o investigado.

O juiz Guilherme Barros Dominato determinou o prosseguimento da ação penal. A defesa deverá apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias.

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