Advogado do grupo de posseiros da área do bairro Cidade Ozanan, Adriano Espíndola está enfrentando grandes dificuldades, do ponto de vista jurídico, para conseguir a suspensão da liminar do juiz Lúcio Eduardo Brito de reintegração de posse. Para ele, trata-se de área extremamente valorizada, cuja propriedade de parte seria de uma grande construtora da cidade. No momento, segundo ele, há uma tentativa de sensibilizar o comando da Polícia Militar no sentido de não fazer a retirada das famílias, até que se tenha uma alternativa de assentamento.
Lembra que o prefeito não está apresentando perspectivas concretas e pede pura e simplesmente a desocupação, “fechando os olhos para as centenas de famílias que ali se encontram, sem nenhuma alternativa de moradia.”, disse Adriano, ressaltando que, na ocupação do Estrela da Vitória, Anderson Adauto, então deputado federal, ajudou os posseiros, entregando a eles uma máquina para fazer tijolos. “Estamos buscando ganhar prazo junto à Justiça para que não se faça uma desocupação corrida, sem que a organização do movimento encontre alternativas para essas pessoas”, disse o advogado.
Adriano contou ainda que, em diálogo com a Polícia Militar, foi solicitada a não-desocupação enquanto não houver uma posição definitiva do juiz, que poderá revogar a liminar. Para Espíndola, o que está valendo é o bom senso das autoridades pela incógnita que paira sobre a decisão judicial. “Existe grande possibilidade de enfrentamento, embora nem a coordenação do movimento nem a Polícia Militar queiram essa situação”, avalia o advogado do grupo.
Tensão. O clima é de tensão entre os ocupantes da área, que estão decididos a enfrentar a polícia em caso de tentativa de desocupação. Homens, mulheres e crianças estão dispostos da defender os lotes, já considerados propriedade de cada um.
Um grupo de 15 pessoas de uma mesma família está residindo em barracos desde o primeiro dia da ocupação e já se sente dono da terra. José Luiz Pereira conta que está desempregado há sete meses e atualmente trabalha com limpeza de quintais. Ele está morando com os filhos, noras e netos e, segundo o trabalhador braçal, não tem para onde ir. A filha de José Luiz, Ana Cláudia Pereira, tem quatro filhos. Todos estão morando com ela e seu companheiro, Wagner Carvalho dos Santos, em barracos improvisados.