O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou oficialmente o aplicativo A.DOT SNA, nova ferramenta criada para facilitar o processo de adoção no Brasil e ampliar as chances de crianças e adolescentes encontrarem uma família.
A plataforma funciona integrada ao Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e tem foco especial nos chamados casos de busca ativa, que envolvem adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência — perfis que costumam enfrentar maior dificuldade para adoção.
O aplicativo é uma evolução de uma ferramenta criada em 2018 pelo Tribunal de Justiça do Paraná e agora passa a operar em todo o território nacional. Pelo sistema, pretendentes habilitados podem visualizar fotos e vídeos curtos das crianças disponíveis para adoção após o esgotamento das tentativas tradicionais de compatibilidade.
O acesso ao aplicativo ocorre por meio da conta Gov.br, mas apenas pessoas já habilitadas pela Justiça podem visualizar os perfis, garantindo sigilo e proteção às crianças e adolescentes.
Segundo especialistas, apesar de facilitar a aproximação entre famílias e menores acolhidos, o aplicativo não altera as exigências legais do processo de adoção.
Para iniciar o procedimento, o interessado deve procurar a Vara da Infância e Juventude da cidade onde mora. O cadastro inclui apresentação de documentos, análise de antecedentes, curso preparatório obrigatório e avaliação psicossocial com visitas de assistentes sociais e psicólogos.
Após aprovação judicial, o nome do pretendente é incluído no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, onde ocorre o cruzamento de informações com os perfis das crianças disponíveis.
Dados do CNJ apontam que atualmente 1.801 crianças e adolescentes estão aptos para busca ativa no país. Desde 2019, mais de 33,5 mil adoções foram realizadas no Brasil, sendo 1.826 delas por meio da busca ativa.