Em Uberaba cerca de 6 mil perícias deixaram de ser realizadas nos 4 meses do movimento; em todo o país cerca de 1,3 mi atendimentos deixaram de ser realizados
Após mais de 120 dias de greve, os médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltaram ao trabalho nesta segunda-feira (25). Segundo a Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), neste período, mais de dois milhões de pessoas não conseguiram fazer perícias agendadas. O INSS divulgou 1,3 milhão de perícias médicas não foram realizadas durante a greve. Em Uberaba, cerca de 6 mil segurados deixaram de ser atendidos.
Segundo informações da Gerência Regional da Previdência Social, cada médico perito realiza em média 15 perícias por dia. Na agência do INSS em Uberaba, cinco médicos peritos paralisaram durante a greve. Pela projeção, os profissionais deixaram de realizar cerca de 75 perícias por dia, resultando em uma média de 375 perícias adiadas por semana e 1.500 por mês. Com essa conta, em quatro meses de greve, em torno de 6 mil pessoas deixaram de ser atendidas em Uberaba.
De acordo com a ANMP, os médicos voltam às atividades em “estado de greve” e o atendimento será exclusivo para perícias iniciais, caso de quem ainda não tem e está buscando o benefício. A entidade não descarta novas paralisações e o atendimento só será normalizado quando houver avanço nas negociações com o governo, as quais, no momento, estão paralisadas.
Por meio de nota, o INSS informa que a Central de Atendimento 135 está à disposição para orientar a população e também para fazer os agendamentos e/ou reagendamentos necessários. O órgão calcula que mais de 830 mil pedidos de concessão de benefícios estejam represados. O tempo médio de espera para o agendamento da perícia médica, em nível nacional, passou de 20 dias, antes do início da paralisação, para os atuais 89 dias. O INSS orienta quem já tem exame agendado a comparecer no dia e hora marcados na agência para realização da perícia e os benefícios não recebidos serão pagos de acordo com a primeira data agendada.
Os médicos peritos pedem aumento salarial de 27,5%, em no máximo duas parcelas anuais, redução da carga horária de 40 horas para 30 horas semanais, a recomposição do quadro de servidores e o fim da terceirização da perícia médica. Conforme o Ministério do Planejamento, os termos do acordo encaminhado aos peritos contemplam os mesmos itens oferecidos às demais categorias do funcionalismo, como reajuste de 10,8%, a ser pago em duas vezes, e reajuste dos benefícios sociais.