Brasil tem 6 mortes e 145 casos suspeitos provocados por reações adversas a esses medicamentos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta segunda-feira (9/2) sobre os riscos de desenvolvimento de pancreatite aguda associados ao uso incorreto de medicamentos com GLP-1, as populares canetas emagrecedoras. O comunicado destaca que, embora essa reação adversa já esteja prevista em bula, o uso desses medicamentos fora das indicações autorizadas aumenta significativamente a probabilidade de ocorrência desse efeito colateral grave.
O alerta abrange medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A Anvisa enfatiza que esses produtos devem ser utilizados apenas conforme as indicações aprovadas e sob rigorosa supervisão médica.
Dados da autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) revelam um cenário preocupante. Entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas 1.296 notificações de pancreatite relacionadas ao uso desses medicamentos no país europeu, incluindo 19 casos que resultaram em mortes.
No Brasil, o panorama também exige atenção. De 2020 até 7 de dezembro de 2025, o sistema de farmacovigilância registrou 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, com seis casos suspeitos de óbito. Os casos são tratados como suspeitos e 2025 teve recorde de notificações.
Ano/ Notificações:
Em resposta a essa situação, a Anvisa determinou em junho de 2025 que farmácias e drogarias passassem a reter as receitas desses medicamentos, conforme estabelecido pela RDC nº 973/2025 e pela IN nº 360/2025. As prescrições são feitas em duas vias, sendo uma retida no estabelecimento, e têm validade de até 90 dias a partir da data de emissão.
A agência orienta que pacientes em tratamento com esses medicamentos procurem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas sugestivos de pancreatite, como dor abdominal intensa e persistente, possivelmente irradiando para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. Aos profissionais de saúde, a recomendação é interromper o tratamento ao suspeitar dessa reação e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.
Este não é o primeiro alerta emitido pela Anvisa relacionado aos agonistas de GLP-1. Em anos anteriores, a agência já havia alertado sobre riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos (2024) e casos raros de perda de visão associados à semaglutida (2025).
A Anvisa reforça a importância da notificação de eventos adversos no sistema VigiMed para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no Brasil.
Fonte: O Tempo.