Um aplicativo que permite consultar antecedentes criminais e processos judiciais de pessoas antes de encontros tem provocado discussões sobre os limites entre segurança e privacidade no ambiente digital. A ferramenta utiliza inteligência artificial para reunir, em poucos segundos, informações disponíveis em bases públicas.
A proposta surge em meio ao aumento da violência contra a mulher no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registrou 1.568 casos de feminicídio em 2025 — o maior número da última década.
Apesar disso, o uso desse tipo de recurso levanta questionamentos. Especialistas apontam que a simples agregação de dados públicos em uma única plataforma pode gerar distorções, além de facilitar a circulação de informações sensíveis fora de contexto.
Outro ponto de atenção envolve a Lei Geral de Proteção de Dados. A legislação estabelece critérios para o tratamento de dados pessoais, mesmo quando são de acesso público, especialmente quando há risco de uso indevido ou prejuízo à imagem de terceiros.
Para analistas, a popularização dessas ferramentas expõe um dilema contemporâneo: como ampliar mecanismos de proteção individual sem ultrapassar limites legais e éticos relacionados à privacidade.