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Asilo investigado por torturar pacientes pode ter participação em ao menos dez mortes

A Polícia Civil confirmou o óbito de três idosos no período de um ano, mas outras sete mortes foram denunciadas

Publicado em 30/07/2019 às 15:40Atualizado em 17/12/2022 às 22:57
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Asilo investigado por torturar idosos e pacientes acamados em Santa Luzia, na Grande BH, pode ter tido participação na morte de pelo menos 10 internos. Até o momento, a Polícia Civil confirmou o óbito de três idosos no período de um ano, mas outras sete mortes foram denunciadas e estão sendo apuradas pela corporação.

Um inquérito foi aberto para investigar a denúncia feita por um ex-funcionário da casa de repouso.

As proprietárias do asilo, mãe e filha, de 47 e 27 anos, foram presas em flagrante por tortura e desacato. A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva de uma terceira pessoa.

As duas suspeitas, por meio do advogado de defesa, negam veementemente os crimes de tortura. Elas estão reclusas no presídio de Vespasiano, também na Grande BH. O defensor da dupla informou que irá impetrar um habeas corpus, pedindo a soltura das clientes.

De acordo com a polícia, no asilo os internos tinham alimentação restrita, eram castigados, maltratados e torturados. A casa de repouso foi descoberta na última quinta-feira (25), após uma denúncia anônima. No mesmo dia os investigadores foram até o local e encontraram uma situação "degradante e extremamente triste".

Os pacientes relataram à PC que recebiam socos, pontapés, voadoras e eram espancados com bengalas.

A higiene do ambiente também não era a ideal. A polícia encontrou uma fossa aberta e os pacientes circulando próximo da água suja. Além disso, conforme as apurações, os cuidadores tinham apenas uma única luva para atender todos os pacientes ao longo do dia.

Além de idosos, o asilo também tinha pacientes com problemas de locomoção, acamados ou com problemas mentais. A paciente mais nova é uma cadeirante de 23 anos, vítima de meningite. O mais velho tem aproximadamente 85 anos. Quando a polícia chegou ao local encontrou cerca de 50 internos. O valor da mensalidade variava entre R$ 998 a R$ 1.500.

A visita na casa de repouso era permitida três vezes na semana, mas o relato é de abandono de muitos pacientes.

A Prefeitura de Santa Luzia informou que 17 idosos tiveram que ser internados no Hospital Municipal Madalena Parrilo Calixo. Um deles recebeu alta nesta terça-feira (30) e foi 'resgatado' pela família. O último boletim médico divulgado pela unidade de saúde revela que três pacientes estão em situação mais grave, recebendo cuidados paliativos.

Do total de internados, o executivo conseguiu encontrar os responsáveis por apenas nove pacientes.

O asilo não tinha alvará, mas, conforme as apurações iniciais da polícia, funcionava desde 2017. Mesmo ilegal, a casa de repouso continua sendo o abrigo de vários idosos e acamados. Enquanto não são retirados pelas famílias, os pacientes permanecem lá, sob a supervisão da prefeitura e da Guarda Municipal, que faz a vigilância do espaço 24 horas por dia.

*Com informações do Hoje em dia

 

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