Após quase oito horas de julgamento, Lindoval Pereira de Jesus foi condenado ontem a mais de dezesseis anos de prisão pela morte e ocultação de cadáver da estudante de medicina
Jairo Chagas
Lindoval Pereira ouviu a sentença e foi levado de volta à penitenciária, onde vai cumprir o restante da pena Após quase oito horas de julgamento, Lindoval Pereira de Jesus foi condenado ontem a mais de dezesseis anos de prisão pela morte e ocultação de cadáver da estudante de medicina Virlanea Augusta de Lima. Ele cumprirá a pena em regime fechado, conforme a sentença proferida pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, Fabiano Garcia Veronez, titular da 2ª Vara Criminal. O conselho de sentença, formado por seis mulheres e um homem, acatou a tese da acusação, feita pelo promotor Eduardo de Pimentel Figueiredo, de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (vingança) e cometido mediante dissimulação. Ao dosar a pena, o juiz apenas reduziu um ano da condenação devido à confissão do crime. O julgamento movimentou, durante toda a terça-feira, o Fórum Melo Viana. Além da família da vítima e do réu, diversos populares acompanharam o júri popular. Houve ainda espaço para advogados e estagiários também assistirem ao julgamento, cujo acesso foi permitido somente com senhas. Apenas duas testemunhas foram ouvidas pela manhã, a pedido da defesa, feita pela advogada dativa Vera Lúcia Coimbra Roso. Eles expuseram detalhes do relacionamento entre réu e vítima e confirmaram que o mestre de obras era responsável por manter economicamente a vítima, custeando cursinho preparatório, vestibular, aulas particulares e até a carteira de habilitação (CNH). Em seguida, o juiz-presidente disse que o mestre de obras poderia ficar em silêncio ou prestar o depoimento. Surpreendendo a todos os presentes, ele disse que fazia questão de narrar todos os acontecimentos que antecederam a morte da ex-namorada. Chorando copiosamente e se referindo à estudante como “Vi”, o réu assumiu a autoria do crime, mas garantiu que não teve a intenção de matá-la. O mestre de obras também disse que amava a vítima e que deixou a esposa e os dois filhos para manter o relacionamento com a estudante. “A presença dela é constante. A lembrança é muito difícil. Tenho muito carinho por ela e pela família”, afirmou durante o depoimento. Ele reforçou que era responsável por sustentá-la financeiramente e, após anos de relacionamento, ela o abandonou para ficar com outro homem, um dentista de Ribeirão Preto. Segundo a versão dele, no dia do crime, ele deu carona para Virlanea, que seguia para um plantão no Hospital de Clínicas da UFTM. No carro, ambos discutiram e a vítima tentou esganá-lo e, em uma atitude impensada, ele bateu com um cabo de aço na testa dela. A ferramenta estava dentro do carro. A estudante teria desmaiado e, segundo o réu, parecia que não era de verdade. “Achava que ela estava fazendo charme”, disse. Quando viu a gravidade da agressão, ele pensou em procurar um hospital em Delta (MG) ou em Igarapava (SP), mas quando viu que Virlanea já estava morta, com medo, decidiu abandonar o corpo no rio Grande. A defesa optou pela tese de homicídio privilegiado, ou seja, praticado mediante grande emoção e ainda tentou desqualificar as duas agravantes, mas não obteve êxito. O mestre de obras não esboçou nenhuma reação ao ouvir a sentença, sendo condenado a dezesseis anos e dez meses de prisão pela morte da estudante. Lindoval também terá de pagar R$20 mil à família da vítima.