Renato Oliveira afirma que o autismo afeta a interação social, a comunicação como uso da linguagem e o aspecto comportamental
Hoje, 2 de abril, celebra-se o Dia Mundial do Autismo. A data foi decretada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008, com o intuito de chamar a atenção do mundo para os cuidados com os portadores de transtorno do espectro autista, mais conhecido como autismo. A síndrome atinge cerca de 2 milhões de brasileiros e 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo dados da própria ONU, em crianças, a síndrome é mais comum que o câncer, a Aids e o diabetes.
Estudos de especialistas da síndrome apontam que quanto antes o diagnóstico for feito e o tratamento iniciado, melhor será a qualidade de vida da pessoa com autismo.
De acordo com o psiquiatra Renato Oliveira, o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento. “É um quadro que acomete crianças na sua primeira idade, a partir do nascimento. Esses bebês vão se tornar adultos e apresentar comprometimentos, atraso ou desenvolvimento atípico em comparação com outras crianças. Esse comprometimento vai afetar três esferas funcionais desses pacientes, que são a interação social, a comunicação como uso da linguagem e o aspecto comportamental. É um transtorno que abrange diferentes níveis de gravidade, pois podemos ter pessoas com autismo muito grave e outras com o transtorno mais brando”, esclarece o psiquiatra.
Ainda segundo o profissional, a primeira definição de autismo surgiu em 1943, com Leon Kanner, psiquiatra austríaco que observava crianças de 2 a 8 anos que apresentavam comportamentos diferentes, como atraso na linguagem, dificuldade de se comunicarem, tendência a movimentos repetitivos e ao isolamento.
Renato Oliveira ressalta que desde esse primeiro relato, os pesquisadores foram acompanhando esse tipo de quadro, até que foi possível chegar, nos tempos atuais, ao sucesso no diagnóstico precoce e às intervenções com melhores resultados para que os portadores de autismo se desenvolvam de maneira mais adequada. “O tratamento começa com a avaliação clínica do paciente, a fim de identificar se existe outro problema além do autismo. Também é importante o acompanhamento de um profissional de fonoaudiologia capacitado, de terapia ocupacional para ajudar a estimular a criança e um trabalho de psicoterapia que engloba uma equipe. Vale ressaltar que o uso de medicamentos no tratamento dos portadores é restrito única e exclusivamente para facilitar as outras ações de apoio. Não existe um medicamento para tratar o autismo, sendo sugestivo usar algum fármaco para que a criança tenha, por exemplo, um avanço no tratamento fonoaudiólogo”, finaliza.