Pela primeira vez, o Banco Central (BC) do Brasil cogita a possibilidade de estouro da inflação este ano, em 6,6%, limite bem superior ao centro da meta de inflação, que é de 4,5%. Nesse sentido, o BC afirmou nesta quinta-feira (31), por meio do Relatório de Inflação do Banco – divulgado trimestralmente –, que não trabalha com a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros, a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia).
O Banco Central informou, ainda, que a expectativa de a inflação ultrapassar o limite superior da meta é de 55% em 2016 e 22% em 2017. No mercado, a perspectiva é de 65% e 33%, respectivamente.
A taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando reajustada para cima, o BC segura o excesso de demanda que pressiona os preços, já que os juros mais altos aumentam o crédito e instigam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Comitê de Política Monetária (Copom) abaixa o crédito e incentiva a produção e o consumo, e alivia o controle sobre a inflação.
No Relatório de Inflação, o Banco salienta que há incertezas quanto ao comportamento recente das taxas e das expectativas apontadas de inflação, quando combinados com a presença de mecanismos de indexação, ou seja, o reajuste de preços com base nos índices de inflação.