A entrada de Heloisa Valadares foi barrada sob o argumento de que a profissional não estava trajando roupas adequadas, com base em recente portaria publicada pelo diretor do foro
Advogada Heloisa Valadares foi impedida ontem de entrar no prédio da Justiça Federal em Uberaba. A entrada foi barrada pelos seguranças sob o argumento de que a profissional não estava trajando roupas adequadas, com base em recente portaria publicada pelo diretor do foro, juiz Elcio Arruda. Esta não é a primeira vez que ocorre o problema no órgão, que funciona na Vila Olímpica.
Heloisa Valadares buscou o órgão para despachar uma petição na “Sala dos Advogados” da OAB, que funciona dentro do prédio. Ao ser impedida de adentrar ao órgão, ela chamou o chefe dos seguranças questionando qual seria o tipo de vestimenta “apropriado” já que trajava um vestido, que não pode ser considerado “quebra de decoro”. “Ele não soube me informar”, afirma. Ela também quis chamar o diretor do foro. No entanto, Elcio Arruda não estava no prédio. Em virtude disso, a advogada optou por acionar o presidente da OAB, o advogado Vicente Flávio Macedo Ribeiro. A profissional também recorreu à Polícia Militar. Porém, ela não foi atendida devido às diversas ocorrências em andamento na cidade. “Nunca passei por uma situação tão constrangedora nos meus 25 anos de advocacia”, coloca.
Após o episódio, Heloisa Valadares também fez um boletim de ocorrência na Polícia Federal. Ela pretende ajuizar uma ação contra diretor do foro da seccional, responsável por editar a portaria que condiciona a entrada de pessoas ao vestuário.
Para ela, a determinação fere o direito de ir e vir do cidadão em um país onde não existe restrição à corrupção e desvios de verba, conforme denúncias que vêm à tona no País. “Estou muito triste por não poder entrar em um lugar sério de trabalho como a Justiça Federal”, lamenta.
Ainda segundo a profissional, o órgão não possui dono, faz parte do Poder Judiciário. “Não deve ser tratado como poder unilateral, autoritário”, destaca.