Anualmente, o país gasta cerca de R$ 3,6 bilhões somente no tratamento do SUS às doenças ligadas à obesidade e tratamentos dentários
Reduzir os males causados pelo consumo excessivo de açúcar é uma das principais recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para ter uma vida saudável. Partindo deste preceito, o governo quer aumentar as taxas de imposto sobre os refrigerantes e bebidas açucaradas encontradas no mercado brasileiro.
Ainda segundo a OMS, 40% das crianças com menos de cinco anos consomem refrigerante com frequência e mais da metade dos brasileiros está com excesso de peso. O aumento em 20% dos impostos das bebidas açucaradas pode diminuir o consumo e contribuir para a melhora na qualidade e expectativa de vida da população.
O nutricionista pós-graduado pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz), Clayton Camargos Júnior, explica que são muitos os males causados por estes produtos, que além do açúcar, inclui outras substâncias prejudiciais à saúde. “As variações cola, por exemplo, vêm com uma grande quantidade de fosfatos que, em excesso, provocam o enfraquecimento dos ossos através da liberação do cálcio. Dessa forma, acabam aumentando a incidência de doenças como a osteoporose, peso, sobrepeso e obesidade. Sem falar nas cáries, principalmente nas crianças”, alerta.
Esta semana, o tema foi discutido na Câmara, por meio de audiência pública das Comissões do Esporte e de Seguridade Social e Família, colegiado ligado à saúde. O autor do projeto, deputado Sergio Vidigal do PDT, afirma que devesse criar uma Classificação Internacional sobre Doenças (CID) a respeito das bebidas, não preocupando apenas em aumentar a receita. “Mas entendemos da necessidade de reduzir o consumo dessas bebidas e, os recursos utilizados, para a saúde pública e para atividades esportivas e para campanha de conscientização”, afirma.
Os modelos de cobrança estão em discussão. Há ainda reclamação das pequenas empresas, devido ao formato de comércio atual, que facilita a cobrança de tributos e a produção das grandes empresas. Anualmente, o país gasta cerca de R$ 3,6 bilhões somente no tratamento do SUS às doenças ligadas à obesidade e tratamentos dentários.
Fonte: Agência do Rádio