
Promovida na última sexta-feira do mês de novembro, a Black Friday sempre é uma oportunidade para os lojistas ampliarem as vendas, e o consumidor garantir descontos em produtos que deseja adquirir. Neste ano, porém, a data traz uma novidade: vai acontecer durante a Copa do Mundo do Catar, um dia depois da estreia do Brasil contra a Sérvia. A avaliação de especialista ouvido pela reportagem de O TEMPO é de que a bola rolando do outro lado do planeta pode impactar positivamente o comércio interessado na data.
“É claro que o brasileiro está concentrado nos jogos, mas também é um período no qual o incentivo de compra é maior. As pessoas vão querer comprar roupas, camisa da Copa; as pessoas vão querer comprar comidas e bebidas; as pessoas vão querer comprar diversas coisas para casa para fazer eventos e receber visitas. O que acontece nessa Black Friday é que a gente tem um momento perfeito para determinados nichos, como moda e alimentos”, afirma Diego Ortiz, diretor de vendas da Chili, agência de marketing digital que presta consultoria a clientes em toda a América Latina.
Apesar da oportunidade, Diego alerta que o lojista não pode deixar as estratégias de convencimento para a última hora. O maior erro, na visão dele, é adoção de medidas de marketing só na semana da Black Friday, ignorando o processo de sedução dos clientes.
“Em geral, se você vende carro, apartamento ou pirulito, é preciso entender que o consumidor é um ser humano. Existe venda de impulso, mas nós todos passamos pelas mesmas etapas de conversão da jornada do consumidor. A pessoa precisa ser impactada diversas vezes para seguir adiante dentro daquela jornada de vendas. Não existe um canal de conversão, são vários. Quem é a pessoa hoje que passa um dia inteiro no Instagram? Não, a gente passa pelo Twitter, YouTube, Spotify etc. Quanto mais presença, mais fácil você pegar a pessoa naquele momento oportuno”, diz Diego Ortiz.
Caso o lojista tenha orçamento limitado e não consiga investir em frentes diversas, a dica do diretor de vendas da Chili gira em torno do recorte por público-alvo. Então, o empresário precisa pensar onde investir para seduzir a persona do seu negócio. “Se seu consumidor é formado por mulheres entre 25 e 35 anos que tenham filhos, talvez o Pinterest e o Instagram sejam mais indicados. Se o seu consumidor são pessoas entre 55 e 65 anos, quem sabe o Bing ou o Yahoo funcionem muito bem para você? São diferentes perfis”, exemplifica Ortiz.
Nesse cenário, o especialista em marketing digital analisa a Black Friday como a oportunidade ideal para o empresário fidelizar clientes. A data, na realidade, pode funcionar como porta de entrada para que consumidores interessados no seu produto possam conhecer a sua marca. Afinal, comprar de quem já aprovamos é sempre mais fácil.
Cuidados com a publicidade enganosa
Apesar da oportunidade, até mesmo campanhas bem planejadas podem cair em desconfiança por parte do consumidor, caindo na zona perigosa da “black fraude”. Nos últimos anos, tem sido comum produtos ofertados com falsos descontos: o empresário eleva a cotação antes da data dos descontos para depois passar uma falsa impressão de oferta imperdível.
“A gente tem dito que o consumidor não é bobo. Se a empresa é comprometida e quer ter diversos anos de mercado, obviamente tem que se considerar que um dos grandes pilares para um negócio, seja online ou offline, é a recorrência de compra. Então, quando a gente fala da Black Friday, a gente trabalha com uma estratégia na qual um site que atraiu muitos visitantes durante o ano dê incentivos para que aquela pessoa volte e compre produtos. Infelizmente, as práticas de ‘black fraude’ sempre foram bastante recorrentes no nosso mercado. Casos de empresas que mudam o preço para enganar o consumidor”, diz Diego Ortiz, diretor da agência de marketing digital Chili.