RACISMO

Boneca Natasha viraliza com vídeos polêmicos e reacende debate sobre racismo na internet

Publicado em 15/07/2026 às 09:56
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 (Foto/Reprodução Redes Sociais)

(Foto/Reprodução Redes Sociais)

Um brinquedo em formato de bebê negro, conhecido como “boneca Natasha”, passou a gerar polêmica nas redes sociais após vídeos mostrando agressões, situações sexualizadas e conteúdos considerados degradantes envolvendo o objeto viralizarem na internet.

Divulgada como uma boneca de alívio de estresse, feita de materiais como borracha ou espuma com memória, Natasha ganhou popularidade inicialmente em plataformas digitais chinesas e depois passou a circular em outros países. O modelo mais conhecido representa um bebê com pele escura e características raciais estilizadas.

A repercussão aumentou após criadores de conteúdo publicarem vídeos nos quais a boneca aparece sendo maltratada, com cenas de tapas, golpes, cortes e outras ações violentas. Alguns conteúdos também apresentaram situações consideradas sexualizadas, provocando críticas de organizações e integrantes da comunidade negra.

Como surgiu a boneca Natasha?

Segundo informações da agência chinesa de notícias Xinhua, a tendência teria começado após um influenciador batizar o brinquedo de “Natasha”. Um vídeo em que ele derruba a boneca acidentalmente e deixa o material deformado viralizou, incentivando outros usuários a produzirem conteúdos semelhantes.

A boneca ganhou destaque primeiro no RedNote e no Douyin, plataformas populares na China. Com a repercussão, vídeos mais extremos começaram a circular, alguns posteriormente removidos pelas próprias plataformas.

Por que o caso levantou acusações de racismo?

Para críticos da tendência, a questão vai além do brinquedo e envolve a representação de um corpo negro sendo usado como objeto de violência e entretenimento.

Alguns integrantes da comunidade negra apontaram que os conteúdos reforçam estereótipos raciais e associam uma representação de uma criança negra a cenas de abuso e degradação.

A escritora Monique Franz, fundadora da Kinsman Avenue Publishing, afirmou ao Hong Kong Free Press que a criação e comercialização de um brinquedo com essas características levantam questionamentos sobre a forma como corpos negros são representados na cultura popular.

Autoridades reagiram

A Associação de Consumidores da China e a Administração Estatal para Regulação do Mercado acompanharam o caso e classificaram alguns dos vídeos como conteúdos que promovem violência e materiais inadequados para menores.

Plataformas digitais removeram parte das publicações consideradas ofensivas ou violentas. Algumas escolas na China também proibiram o brinquedo, embora relatos indiquem que ele continuava disponível para compra em determinados sites.

O caso reacendeu discussões sobre os limites da produção de conteúdo nas redes sociais, o uso de objetos com características raciais e a responsabilidade das plataformas na disseminação de materiais considerados discriminatórios.

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