Presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB Uberaba defende leitura histórica sobre símbolos da cultura negra
O debate sobre apropriação cultural ainda provoca divergências e levanta questionamentos sobre limites, contexto e respeito às origens culturais. Em entrevista ao JM News, a advogada Lorrayne Francisca, presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB Uberaba, afirmou que a discussão precisa ser compreendida a partir de uma leitura histórica e não apenas estética.
Segundo ela, a forma como o tema é tratado muitas vezes reduz símbolos culturais a simples elementos de moda, ignorando os significados e trajetórias históricas ligados à cultura negra. “A apropriação cultural é um tema maravilhoso de a gente tratar, porque, de fato, é complicado quando a gente analisa de forma rasa. Parece só um penteado, mas não é só isso”, afirma.
A advogada destacou que elementos como tranças, turbantes e penteados afro carregam significados históricos e identitários, especialmente ligados à resistência da população negra ao longo da história. “Quando a gente entende a história por trás do penteado, entende o significado para os negros e para os escravizados, a gente começa a ter mais respeito”, disse.
Durante a entrevista, Lorrayne ressaltou ainda que o debate não se limita ao uso ou não desses elementos, mas à forma como eles são percebidos socialmente dependendo de quem os utiliza.
Segundo ela, há uma diferença na forma como esses símbolos são interpretados quando usados por pessoas negras ou brancas, o que evidencia construções sociais relacionadas ao racismo estrutural. “Na branca é visto como bonito, estiloso, chique. Na mulher preta, muitas vezes é visto como desleixo ou algo negativo. E isso é construção social”, ressalta.
Para a advogada, o debate reforça a necessidade de conscientização sobre os significados históricos dos elementos culturais e sobre como eles são percebidos socialmente, especialmente a partir de marcadores raciais.