Brasil tem reconhecidos 8.400 refugiados vivendo no país. A informação é do secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã. Desse total, a maior parte é formada por sírios, que somam cerca de duas mil pessoas. “Este número tem crescido ao longo dos últimos anos, obviamente um reflexo do que se tem visto pelo mundo”, diz. Ainda de acordo com Beto Vasconcelos, o país não tem medido esforços para dar abrigo a estas pessoas.
Segundo levantamento publicado há um ano pela Organização das Nações Unidas (ONU), sessenta milhões de pessoas estão deslocadas dos seus respectivos países. Destes, vinte milhões foram forçados a deixar a terra natal. “Um triste recorde. O pior dos últimos tempos, desde a fundação da ONU”, comenta o secretário nacional de Justiça.
Beto Vasconcelos diz que o Brasil tem acolhido pessoas de todo o mundo, desde a assinatura da convenção da ONU e da Declaração de Cartagena – marco da América Latina para refugiados – até a promulgação da Lei de Refúgio. “Além de uma questão humanitária, são compromissos e obrigações que o Estado assumiu de proteger pessoas que são perseguidas ou que estão em grave situação de violação dos direitos humanos, como são os conflitos e as guerras”, explica.
Ele lembra ainda que o país foi construído por meio de fluxos migratórios, sejam socioeconômicos ou até, conforme a própria história brasileira, decorrente de perseguições e guerras. “Com essa nossa identidade, eu tenho a absoluta certeza que não só o governo federal, como também os governos estaduais e municipais, e, sobretudo a sociedade brasileira, têm plena condição de receber essas pessoas, compreender o desespero e o drama humanitário que elas vivem e acolhê-las, como sempre fizemos em nossa história”, finaliza.